quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O Parto Domiciliar - de acordo com a revista VEJA



Matéria ostensivamente sensacionalista e (que deve ter custado uma fortuna pra fazer) muito mal conduzida, uma vez que não tem os dois lados da estória para haver debate e "discussão" sobre o assunto. EU sou contra esse tipo de coisa. EU não quero ninguém me maltratando com palavras, gestos ou intervenções absolutamente dispensáveis no meu parto...fico pensando nas muitas mulheres que "dão á luz" (a palavra é PARIR mesmo, mas eu vou respeitar as leitoras que ainda ficam sem jeito com ela) nesse nosso interior do Pará e até mesmo tão pertinho da gente aqui mesmo na capital, ouvindo, lendo esse monte de abobrinhas.

Porque ninguém fala das infecções hospitalares que acometem os neonatos e as parturientes em tantos hospitais "de renome" nesse país, mas que são acobertados por "cordões assassinos" e "pouco liquido", principais "causas" das muitas cesáreas feitas (mais de 85%)? 

Este mês mesmo tive uma noticia supertriste: minha dentista faleceu no dia 21 passado. Ela estava grávida, tinha 38 anos e segundo a GO, a gravidez era de risco. Não sei o motivo do "de risco". Três dias antes, ela teve contrações e pariu, lindamente, por via Vaginal (VIVA!!!), viu o bebê e dormiu. No dia seguinte, foi acometida por uma pancreatite (informações da atendente dela no consultório), depois pegou uma infecção hospitalar que agravou o caso. Òbito. tristeza pelo bebê, pela familia, por ela. uma pessoa cheia de vida e que, parecia ter, no minimo, 22 anos, nos deixou. Eu pensei: poxa, pelo menos, eles tem o bebê para lembrar dela, sua sementinha nessa vida... mas eu preferia mil vezes vê-la em casa do que naquele hospital.

Eu estou sendo acometida de uma crise de verborragia: não aguento mais me calar. Escutar qualquer pessoa se meter no parto dos outros me dá arrepios. Eu prefiro sair de perto. Dou as dicas de sites e livros, mas não me meto mais. A estrada de tijolos amarelos não é tão reta assim, tem muitos percalços. então eu posto aqui o que a revista Veja publicou sobre o Parto domiciliar e a respectiva resposta, para quem interessar e poder tirar suas próprias conclusões, afinal a gente sempre aprende mais quando o assunto nos interessa, né(nada de decorebas, kkkkkkk)?

Parto Domiciliar: Quando o risco não é necessário.

A prática não é recomendada por conselhos de medicina, já que mulheres e crianças estão expostas a complicações que podem ser graves.

O parto domiciliar já foi a opção mais segura para as mulheres. Na Europa de até meados do século 19, somente as mães muito pobres tinham filhos nos hospitais, bem diferentes dos que conhecemos hoje. Os médicos de então não conheciam conceitos — nem a importância — de procedimentos como a assepsia e era comum que manipulassem enfermos graves, cadáveres e logo depois realizassem um parto. A roupa de cama não era sequer trocada. Nessas condições, os índices de mortalidade em geral e também dos recém-nascidos eram altíssimos. Esse tempo, porém, pertence a um passado distante. Depois da revolução pela qual a medicina passou no século 20, hospitais tornaram-se lugares mais seguros e indicados não só para tratamento de doentes, como para o nascimento de crianças. É regra que, dadas as condições, não faz mais sentido realizar um parto dentro casa, sujeito a problemas com consequências potencialmente desastrosas que poderiam ser resolvidas em um hospital. Regra, no entanto, que algumas mulheres moradoras de grandes centros urbanos, com todas as condições de usufruir desses avanços da medicina, questionam e ignoram. Essas mulheres defendem o parto à moda antiga, dentro de casa.

O que a grande maioria dos especialistas argumentam é que, hoje, quando há complicações, médicos neonatais e obstetras têm instrumentos e procedimentos à mão para garantir a boa saúde de mãe e filho. "Mesmo se o parto domiciliar começa e caminha bem, uma intercorrência pode acontecer a qualquer minuto, nunca há 100% de garantia. Se acontecer algo com o bebê no último segundo do parto, ele precisará ser socorrido rapidamente", diz José Fernando Maia Vinagre, corregedor e coordenador da Comissão de Parto Normal do Conselho Federal de Medicina (CFM). Todas essas vantagens desaparecem se mãe e filho estão em casa, e principalmente, longe de um hospital. Em casos de emergência, a distância da casa da parturiente ao hospital pode ser decisiva para a vida de ambos. "Como há riscos envolvidos, que costumam ser baixos, mas iminentes, o CFM não dá aval a essa prática", diz Vinagre.

No Brasil, o parto domiciliar não é recomendado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), por causa do risco desnecessário à mulher e ao bebê. "Com toda a estrutura disponível, considero o parto em casa um retrocesso. A bandeira que precisa ser levantada é a da garantia de hospitais de ponta, cada vez mais preparados para atender à gestante", diz Vera Fonseca, da Comissão para o Parto Normal do CFM e secretária executiva adjunta da Febrasgo.
Publicada em novembro de 2004, a resolução nº 111 do Cremesp determina que o parto deve ser realizado em uma instituição hospitalar dotada de infraestrutura — o que naturalmente não costuma acontecer nos domicílios. Segundo Silvana Maria Figueiredo Morandini, obstetra conselheira do Cremesp, os médicos que desrespeitam a resolução do Conselho estão agindo de maneira antiética. "Assumir riscos alegando uma medicina humanizada é uma involução. A medicina bem feita vai da relação entre médico, gestante e equipe envolvida. E é desse relacionamento que se dá a humanização do parto", diz.

Dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que em 2009 foram feitos quase dois milhões de partos pela rede pública. Desses, 65% foram partos naturais e apenas pouco mais de 30.000 foram feitos em casa – planejados ou não. De acordo com Eduardo Souza, obstetra e coordenador científico de ginecologia e obstetrícia do Hospital São Luiz, o parto normal tem índices de complicação relativamente baixos. "As chances de complicar são de, em média, 1%. O problema é que uma vez que acontece uma complicação, mulher e criança estão expostas a riscos que podem ser graves", diz.

Riscos — Entre as complicações que podem ocorrer durante o parto normal, colocando a saúde da mulher em perigo, estão: retenção placentária, o que pode levar à hemorragia; ruptura uterina, que pode acontecer durante a gravidez ou logo em seguida ao parto; ruptura de colo; atonia uterina, quando o útero não se contrai de maneira regular, chegando a causar hemorragia; e laceração de partes frágeis do corpo, que podem levar a hematoma anal e na bexiga, por exemplo. Para o bebê, o risco principal é a falta de oxigenação, que pode causar problemas posteriores sérios como paralisia cerebral e outras complicações. Todas essas intercorrências podem ser contornadas a contento em hospitais e centros aparelhados, quando há a presença de profissionais capacitados.

Em um estudo publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology, conceituado periódico médico internacional, o obstetra Joseph Wax e equipe demonstraram que a taxa de mortalidade neonatal dos partos domiciliares é até três vezes maior que a dos realizados em hospitais. Em nota, o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia salienta os dados da pesquisa de Wax para reforçar sua posição em não recomendar o parto domiciliar – em função, mais uma vez, dos riscos.

Para as mulheres que decidem, ainda assim, dar à luz à moda antiga, o Colégio orienta: é necessário um pré-natal bem feito e com acompanhamento adequado, infraestrutura mínima, condições de transporte de urgência e preparo do profissional que vai acompanhar o parto, seja ele uma enfermeira ou um médico. No Brasil, a realização do parto normal pode também ser realizado por enfermeiros com especialização em obstetrícia, conforme previsto na lei nº 7498/1986 e regulamentado pela entidade de classe.
De acordo com Antônio Júlio de Sales Barbosa, obstetra do Hospital Santa Catarina, hoje já é possível que o parto seja feito de formas mais humanizadas dentro dos hospitais. Em alguns centros há salas preparadas especialmente para isso, com treinamento adequado da equipe e maior respeito às necessidades e vontades da gestante. "É ela quem escolhe a posição em que deseja dar à luz ou mesmo se quer ou não tomar anestesia no parto normal. Cada vez mais estamos nos preparando para que a mulher tenha voz ativa."

O parto em casa vale a pena?

Conheça os argumentos das defensoras do parto domiciliar

Conforto

 Em casa: Segundo as defensoras do parto domiciliar, existe maior conforto em se dar à luz em casa, onde o ambiente é familiar e é possível ter parentes ao redor.
 No hospital: A presença de familiares também é permitida dentro dos hospitais, em número limitado. Em algumas instituições já existem quartos adaptados para o parto. Nesses lugares, a decoração é pensada para que o ambiente se assemelhe a um quarto domiciliar. “Antigamente a única opção era ir para uma sala cirúrgica, dessas que se vê na televisão. Mas hoje já existe o que chamamos de labor delivery room, uma sala própria onde ela fica do início do trabalho de parto até depois de dar à luz”, diz Antonio Julio de Sales Barbosa, obstetra do Hospital Santa Catarina.

Parto

Em casa: Quando dá à luz em casa, a mulher tem total liberdade para escolher a posição em que quer ter seu filho. Como não há limitação estrutural do hospital, ela é livre para decidir entre dentro da água, de cócoras, de lado ou deitada.
No hospital: Quanto mais especializado em parto o hospital, mais infraestrutura ele terá. Isso significa que maternidades, por exemplo, já possuem estrutura suficiente para que a mulher consiga escolher como quer dar à luz. Há desde camas adaptadas para diversas posições, como banheiras em tamanhos adequados para que o obstetra consiga trabalhar.

Infecções

Em casa: Com o parto feito em casa, tanto a mulher quanto o bebê correm menos riscos de infecções hospitalares.
No hospital: Apesar de evitar complicações típicas do ambiente hospitalar, a exemplo das infecções, o parto em casa pode trazer uma série de outras complicações para mãe e bebê. Entre elas estão: retenção placentária, ruptura uterina ou de colo, atonia uterina, laceração de partes frágeis do corpo, além da falta de oxigenação para o bebê.

Medicamento

Em casa: Com o menor uso de medicamentos e de intervenções consideradas desnecessárias, a mulher poderia ainda ter mais controle e uma participação mais ativa no processo do parto, além de ter uma recuperação física mais rápida.
No hospital: “Nada é feito de maneira obrigatória, a mulher toma anestesia somente quando autoriza ou a solicita”, diz Eduardo Souza, obstetra e coordenador científico de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital São Luiz. De acordo com o especialista, a gestante pode ainda optar pela presença de doulas, acompanhantes especializadas em técnicas não-medicamentosas para o controle da dor.

Humanização

Em casa: Longas consultas pré-natais, o acompanhamento integral e exclusivo durante o trabalho de parto (por doulas ou enfermeiras) e todo o conforto da presença de familiares e de técnicas não-medicamentosas para amenizar a dor são o principal chamariz. "Existem protocolos a serem seguidos para que o parto possa ser feito em casa, todos com base em estudos e evidências científicas", diz Kleyde Ventura, vice-presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros (Abenfo).
No hospital: “A medicina bem feita vai da relação entre médico, gestante e equipe envolvida. E é desse relacionamento que se dá a humanização do parto”, diz Silvana Maria Figueiredo Morandini, obstetra conselheira do Cremesp. De acordo com especialistas, a humanização plena de um parto inclui ainda uma preparação para que ele seja feito de maneira segura – e isso inclui o usufruto das estruturas de emergência encontradas dentro do hospital.

*grifos meus.eu contei duas vezes a "falta de oxigenação"...sobre o cordão umbilical, alguém lembrou que é ele que "oxigena" o bebê?...

O que é "ser Mãe"?


Da lista ISHTAR Brasil




"Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em começar uma família.

Nós estamos fazendo uma pesquisa, ela diz, meio de brincadeira. Você acha que eu deveria ter um bebê?'

Vai mudar a sua vida, eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro. 

Eu sei, ela diz, nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .'

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar a luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar -E se tivesse sido o MEU filho? Que cada acidente de avião, cada incêndio irão lhe assombrar. Que quando ela ver fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicura impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio as bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma.

Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida – não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

'Você jamais se arrependerá', digo finalmente.

Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados.

Este presente abençoado de Deus... Que é ser Mãe."

Autor desconhecido

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Eu Imagino...O (meu) Parto Domiciliar.



Um teste de farmácia dizendo "você está grávida". A felicidade/surpresa da noticia. O primeiro trimestre, segundo, terceiro...poder fazer tudo diferente dessa vez: mais sling, cama compartilhada, amamentação em livre demanda, choro de alegria dessa conquista... Mas antes disso, O PARTO.

Imagino a casa que preparei para esse grande evento: muito espaço, banheira com água morna, estar á vontade, meu esposo, minha filha ao seu lado, contrações(enfim!!)...silêncio, tic-tac do relógio ao longe, brisa que entra na sala e sopra meu rosto, anunciando a chuva da tarde, cheirinho de terra molhada, telefone desligado...hummm, soninho bom...vou dormir um pouco...mais uma contração...concentra, concentra...esqueci do tempo, se comi ou não, se bebi água ou não, se gritei ou não, alguma coisa me faz rir, outra chorar, outra me deixa fula da vida, por nada...somente desligar por completo...deve ser como no inicio do sono: você ouve o programa,se estiver com a tv ligada, mas não "vê"  a noticia, só sabe que tem um ruido ali, com luz e cores e vozes...e você nem notou quando foi parar no chuveiro, e nem lembra como foi parar no vaso sanitário, ou como foi que, de repente, o almoço que você vomitou na cozinha sumiu como por encanto...aquela Patricia que nas últimas semanas se sentia "um lixo", parece que nunca existiu...e esse é o MELHOR momento, o "MEU" momento, tudo em mim é prazeroso, é uma necessidade, é o normal...eu não deixei de ser eu, apenas serei eu "transformada" em algo mais forte, mais enraizado, mais consciente, mais PODEROSO, mais sublime...serei eu POR INTEIRA...

De repente, uma contração maior: movimento estranho dentro de minhas entranhas, respiro fundo e solto o ar, visualizando soltar os músculos da pelve, nossa, parece que eu virei a mulher elástica!!!fantástico!!! não sei se rio ou se choro, todo o meu ser treme até não poder, e não tenho o controle de nada!! PÂNICO...ah, meu Deus, Jesus, será que eu consigo???!!!não, EU consigo!!! cheguei até aqui, só saio daqui quando terminar!!!...surge a cabecinha, o corpinho, corpo em chamas pelo calor do esforço...Enfim!!!!!!!!!

Voz embargada, choro convulsivo, e ao mesmo tempo, uma paz, uma calmaria...a sensação deve ser a mesma (não, maior!) de ouvir o nome na lista de aprovados no vestibular...vestibular de sua própria crença, de alcance de seus objetivos, de principios solidificados...de mais uma etapa vencida, de que você veio ao mundo foi para ISSO... eu, feita fortaleza, feita luz, feita estrada, para guiar um novo ser, uma nova alma, para que ele/ela busque seu próprio caminho, seus próprios valores, seu próprio SER...Feliz.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

QUAL È A (SUA) MÚSICA??


Parafraseando um conhecido e querido apresentador de TV, lhe pergunto: Oual o lugar da Música na sua vida? em que parte dela você mais se atentou  e o que ela te inspirou a fazer?

Eu sou da época em que músicas tinham Letras. Sim, porque hoje em dia, basta um batidão qualquer fazer sucesso para você chamar de música. As MÙSICAS (em maúisculas, sim, desculpem quem se ofender, mas vamos e convenhamos, né?) da minha época falavam de amor, de esperança, de vitória, de revezes, mas de crescimento pessoal também. É, eu sou das antigas, que gosta de entender a canção, e principalmente, lembrar dela na minha vida. 

Eu mesma, por exemplo, não tenho música de casamento, aquela música que o casal diz: "olha, estão tocando a NOSSA música". Até hoje não sei porque, mas talvez seja porque a pessoa que hoje é meu esposo e os momentos que compatinhamos juntos sejam algo muito mais forte que uma música. Ele diz que para ele, "Lea" do TOTO é a nossa música, mas eu não me sinto bem quando a escuto...sua melodia lembra algo pesado, triste, de uma época que para mim não foi muito legal. Quando eu fazia o convênio ( leia-se 3º ano do antigo 2º grau), tinha uma música que me marcou profundamente, não pela letra em si (porque eu não sabia toda) mas sim pelo seu refrão:

"... Pois se eles querem meu sangue,
Verão o meu sangue só no fim.
E se eles querem meu corpo
Só se eu estiver morto, só assim(...)"
   
E ela foi muito importante para mim. Ela me inspirou em muitas das vezes que eu fraquejava, em que eu acreditava que não merecia o que de bom vinha ao meu encontro, ou nas vezes em que eu sentia a inveja ao meu redor e não podia fazer nada para mudar...eu pensava nesse refrão e me tornava mais forte a cada vez que o repetia para mim mesma.  Esse era meu escudo, meu mantra, minha espada. Era ele que me alavancava, me dava forças, me fazia me empenhar melhor naquilo que era importante. Foi assim que eu passei a separar o que é urgente do que é importante ou do que não tem tenta relevãncia assim, e me fez focar em meus objetivos e alcançar minhas metas. Foi a pior época da minha vida, em fragilidade, em intensidade de sentimentos, mas também foi a que mais me fez refletir e me descobrir, como ser humano, mulher e ser infinito que sou!! E que os percalços desta vida nada mais são do que lições de casa, que devemos enfrentar e vencer, porque afinal de contas, DEUS não nos daria um fardo tão grande, se não soubesse que poderíamos carregá-lo, não é? 

A pouco tempo, alguém me deu de presente a letra completa dessa música...e já na primeira lida que dei, na primeira linha desse encontro de mim comigo mesma, a única coisa que eu conseguia fazer era chorar, tamanho o choque de ver minha vida ali , resumida naquelas poucas palavras!!!! Era incrivel como eu tinha acertado em fazer do refrão daquela música, minha "forma de vida", digamos assim...foi devastador!!! Sim, as palavras movem montanhas... e movem vidas...seja numa canção, ou numa oração.

Acho que foi em algum Roberto Shinyashiki que li: "De tudo o que acontece na sua vida, você é responsável por 80%. os outros 20% dependem dos outros". Eu tenho feito meus 80%, e no meu caso, saber " QUAL ERA A MINHA MÚSICA", me ajudou bastante, seja na vida, seja no coração...e você?


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Jé pedindo licença á Banda, obrigada por tudo.

Querem Meu Sangue

Cidade Negra

Dizem que guardam bom lugar pra mim no céu
Logo que eu for pro beleléu.
A minha vida só eu sei como guiar
Pois ninguém vai me ouvir se eu chorar.
Mas enquanto o sol puder arder
Não vou querer meus olhos escurecer

Pois se eles querem meu sangue
Verão o meu sangue só no fim.
E se eles querem meu corpo
Só se eu estiver morto, só assim.

Meus inimigos tentam sempre me ver mal,
Mas minha força é como o fogo do Sol.
Pois quando pensam que eu já estou vencido
É que meu ódio não conhece o perigo.
Mas enquanto o Sol puder brilhar
Eu vou querer a minha chance de olhar.

Pois se eles querem meu sangue
Verão o meu sangue só no fim.
E se eles querem meu corpo
Só se eu estiver morto, só assim.

E eu vou lutar pra ter as coisas que eu desejo.
Não sei do medo, amor, pra mim não tem preço
Serei mais livre quando não for mais que osso,
Do que vivendo com a corda no pescoço.
Mas enquanto o Sol no céu estiver
Eu vou fechar meus olhos quando quiser.

Pois se eles querem meu sangue
Verão o meu sangue só no fim.
E se eles querem meu corpo
Só se eu estiver morto, só assim.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Meu Querido Diário





Escrever e ler sempre foram um grande diferencial na minha vida. Quando eu tinha insônia, ao invés de me submeter a essas "receitas de folhetim" que a gente lê nas revistas, eu lia livros, ou relia alguns trechos de que eu gostava, ou escrevia no meu diário. È, eu tive três cadernos de diário dos 14 aos 16 anos. Ai um belo dia, minha mãe leu parte de um deles, justamente a parte em que eu dizia gostar de determinado professor em especial. E apesar de nada ter realmente acontecido entre eu e ele(eu era muito platônica nessas minhas coisas), minha mãe me cercava por todos os lados, tentando saber quem era. Não sei se algum dia ela soube.  O fato é que, depois disso, queimei TODOS eles. fiquei realmente muito triste, porque me senti tolhida, senti como se me enclausurassem numa masmorra bem funda(existe isso?), onde eu sabia que não ia poder escrever mais, nenhuma palavrinha, nenhum risco, pois tudo seria "vistoriado" dali em diante.

Na verdade, não começou ai meu interesse por leitura. Minha mãe é professora, e desde cedo ela me trazia revistinhas da turma da mônica para ver...é, porque "ler" propriamente dizendo eu ainda não lia, mas sabia que aqueles balõezinhos em cima das cabeças dos desenhos queriam dizer alguma coisa...e eu queria SABER o que era!! então aos poucos, minha mãe foi me ensinando o bê-a-bá, primeiro me fazendo cobrir pontinhos, depois as letrinhas pontilhadas, depois me dizendo o nome das coisas...e ai, um belo dia, eu consegui "ler" um quadrinho inteiro sem gaguejar ou parar no meio da palavra...e aos poucos isso ia me tomando todo o tempo...onde eu ia, falava o nome das coisas: placas de trânsito e faixas na rua eram uma atração pra mim...lembro nitidamente do orgulho que senti quando, ao entrar na escola, não fui para o "pré", me mandaram direto para a primeira série, "porque ela já sabe ler" e de uma manhã muito legal em que eu falei a palavra "OVO" para a professora sem nenhum problema, como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo...e depois teve o bilhete desaforado que escrevi para a diretora, dizendo que eu não iria mais ás aulas devido a determinada coisa que havia acontecido (minha mãe foi chamada na diretoria, para explicar como uma menina de apenas sete anos já sabia dizer o que queria!nem lembro mais o que era!!).

Sempre gostei de cartas escritas á mão, de colagens dentro dos envelopes, de cheirinho de perfume na aba das páginas...depois vieram os e-mails, e tudo ficou muito frio...minha madrinha escrevia "no papel" cartas para minha mãe e eu me correspondi por uns três anos com o vizinho dela, que era muito seu amigo e companheiro. Amo recebê-las! chorei ao assistir o filme "mensagem para você", ao ler "cartas para um amigo" e quando minha madrinha faleceu, em 1992. Tem coisa melhor do que o calor humano descrito numa folha de papel? com  a partida dela, nós ficamos meio òrfãs de cartas, eu e minha mãe (que também era sua afilhada). Ela perdeu uma grande amiga.

Na quinta série, ganhei um concurso de redação, mas não esperava, até porque era de todo o colégio. também ganhei um concurso de poesia para homenagear a patrona da escola (falecida a mais de 100 anos) e meu diretor adorava me colocar em saia justa!! eu achava divertido escrever e era minha paixão!!! pensei diversar vezes em me formar jornalista e até fui na redação de um grande jornal aqui de Belém para ver como era o dia-a-dia de um repórter... e me apaixonei mais ainda.

Mas por um desses revezes da vida, fiz vestibular para Ciências Contábeis, passei e descobri que ali eu também poderia me realizar: havia tantas leis para ler e discutir que eu nunca me sentiria entediada..a sede de saber era constante em mim.

Hoje, mãe, esse desejo de saber como é, de escrever o que eu penso, sinto, observo, ficou muito, muito forte, eu não pude deixar de pôr para fora...a barragem que estava tranquila desde os 16 anos veio abaixo!!E desta vez, não há ninguém para represar esse rio!...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Amamen em Soure - 23/07/2011

Em mais uma ação, a Amamen esteve presente em Soure (Marajó), participando em conjunto com a Cruz Vermelha no apoio ás necessidades daquela comunidade. Participaram eu, Leila (vice-diretora da Ong) com sua pequena Jade e Dayse (nutricionista), dando orientações nutricionais para mães e bebês, e uma aula de shantala, que foi muito curtida!!

Quem nos convidou e nos proporcionou esta acolhida foi a Andréia, ela trabalhou intensamente e primorosamente na "campanha" de nossa participação, proporcionando divulgando na rádio e no boca-a-boca local, além de participar ativamente das decisões na comunidade. E olhem, dá conta de casa, esposo (muito participativo e cuidadoso) e do pequeno Moisés, de apenas 4 meses!!! Que mulher de fibra, gente!!!

Aqui algumas fotinhas do evento (by câmera da Leila):

 Espaço multimidia da Escola Gasparino de Brito
 Da esquerda para a direita: Dayse, Leila com Jade no colo e eu.
 Aproveitando melhor o espaço, para conforto das mães e bebês
 Leila e Jade se preparando para pedir peito...
 No meio da aula, alguém quis fazer uma boquinha...detalhe,nesta cena, todas as mulheres são lactentes, que maravilha!!
 Andréia e seu fofo Moisés!
 Nenén feliz!!
 eu e Dayse com as mães.


 Firmino (que depois descobri trabalhar no mesmo òrgão que eu - Pará é um ovo de codorna, gente, de tão pequeno, todo mundo se encontra!), Moisés e Andréia, obrigada pela acolhida, foi inesquecível!
 parte da turma (os papais estavam atrás das câmeras!)
Após os afazeres "profissionais", um pulinho no curtume mais conhecido do Brasil, lá tinham até fotos com a Ana Hickman!!!

Muito, Muito, Muito obrigada a todos que me incentivaram a participar: AMAMEN, meu esposo e Sara!! foi maravilhoso!!

Tudo Tem seu Tempo!




Muitas pessoas já me perguntaram: porque tua filha ainda chupa dedo? porque ela não toma mamadeira? porque ela tomou banho de chuveiro com apenas três meses?porque você não faz assim ou assado? ai, tantas perguntas...que bom se nós pudéssemos apertar o botão "mudo" na vida real!!

Algumas delas não param de contar estórias de "meu irmão chupou dedo até os quatorze anos" ou "vai ficar com a boca torta" ou "coloca pimenta no dedo que passa"... e não entendem que o negócio é puramente fisiológico/psicológico!! realmente, quem mama no peito tem menos chances de chupar chupeta ou ficar com o dedo na boca, por um simples motivo: existe o peito para saciar a chamada "fase oral" da criança, que vai aproximandamente até os dois anos de idade. Então eu deixo.Deixo porque minha filha não tem o peito para ajudar nessa transição.Deixo, não é "porque é bonitinho", mas porque não quero criar trauma nenhum em uma criança que não sabe porque não pode chupar seu dedinho,seja no auge do sono, na hora da raiva, ou simplesmente para ficar abstraindo enquanto assiste "os pinguins de madagascar" na tv.

Estou atenta as distorções que o palato dela pode apresentar por isso. Não descuido disso. Só que pra mim, isso vai acontecer com o tempo, que nem foi comigo, e não quero apressar nada. Quando ela era recén-nascida, eu me pegava pensando em comprar brinquedos que ela ainda não podia entender direito como manejar...ai eu parava e lembrava " ainda não é tempo disso" e deixava para lá. Quando eu comecei a dar banho de chuveiro nela, foi puramente por uma questão de logística: como éramos eu e o pai dela, e eu estava cesareada, ficava impossivel me abaixar para banhá-la na banheirinha...muito desconforto mesmo. E como, desde criança, escutava minha mãe dizer que "banho frio é otimo de manhã para acordar",resolvemos dar esta rotina a ela desde cedo (gente, aqui é Belém do Pará, quente pra dedéu! mal saímos do banho, já estamos suando de novo!!). Aliás, ela também não tem ar condicionado no quarto (uso o bom e velho ventilador), para que mais tarde, não se sabe onde ela estará ou qual será sua profissão, ela não se condicione a só "ficar em locais que tenham ar condicionado", como eu vejo muita mãe penar por ai e vem me dizer isso com a cara mais "acostumada" do mundo (como em uma vez que fui ao shopping, um avô queria que sua netinha tomasse o suco que ele havia comprado para ela, mas ela dizia que só ia tomar se fosse em um "canudinho rosa", e não havia nenhum por perto!!pense numa saia justa!!)...claro que conforto é bom, mas na falta de algo maior, use o ventilador! eu costumo brincar: "ei, sua conta de luz vai ficar bem menor"...mas enfim, cada um com seu jeito. 

Sara toma "ga-gau"(como ela chama) no copo de treinamento. Quando ela fez um ano e um mês, teve uma crise de bronquiolite, passamos o ano novo internadas. Pensei que fosse devido ás bactérias da mamadeira (e vai saber se não era por isso mesmo?). Na volta para casa, joguei tudo no lixo. Mil vezes copo e prato e colher normal.

Algumas das coisas que faço tem a ver com a questão da reprodução de comportamento: minha mãe fez, deu certo comigo, pode dar certo com ela. Outras eu vou puramente no instinto mesmo, como colocar noz na fervura da carne da comida dela, ou ferver a batata com a casca (depois de lavada, lógico!) para depois tirar, ou reutilizar a água das fervura das verduras para fazer o arroz...não sei se estão certos ou não, mas tem funcionado bem, principamente para o intestino dela.

Cada familia cria sua própria cultura, pois nós somos uma miscelânea gostosa da de nossos Pais e cada coisa tem que ser feita a seu tempo, além do que, cada familia tem realidades diferentes...eu ainda tenho uma cozinha legal, mas e quem não tem nem panelas decentes??? Não dá para ser do jeito que todo mundo quer que sejamos, senão cairiamos naquela parábola do velho, do menino e do burro...Sigamos vivendo nossos caminhos!!