sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A PRIMEIRA VEZ...DE FÉRIAS(?)!!!


Estive off total no mês de Julho, pela primeira vez, sem Net, longe dessa tecnologia escravizante(kkkk). "È o Mês das férias", dizíamos quando éramos crianças. época de ficar sem tempo de acordar, dormir, comer, só pensar em brincar, ficar vendo filme na tv, sair pra passear com mãe, pai, avòs.

Este ano foi diferente - para mim, ao menos - pois eu já não sou mais criança e agora, mãe, pela primeira vez me peguei ás voltas com uma preocupação absurda: aonde levar minha filha nessas férias? Bom , lógico que ela ainda nem cogita o que venha a ser isso, para ela o tempo ainda é linear, onde tudo o que acontece tem uma rotina já estabelecida. talvez eu é quem, na ausência do trabalho, tenha me sentido meio perdida: "e agora, fazer o quê?". Será que ela já tem idade para ir em determinado brinquedo, será que aquela praça legal não vai estar muito cheia, ou será que ela vai saber ficar em pé numa piscininha e não cair?Caraca!!! quanto "sofrimento"!!! e Sara tirou de letra. Aliás, Julho foi o mês da "1ª vez"!! foi a primeira vez que ela foi ao cinema normal e viu outras crianças tantas quantas ela quisesse e gritou e esbugalhou os olhinhos quando as luzes se apagaram (e não simplesmente assistiu um video no DVD, com o pai e a mãe do lado, que coisa sem emoção, né?), a primeira vez que ela foi ao parquinho (e "andou" direitinho nos brinquedos que dão circulos), a primeira vez que ficou em uma piscininha só dela e boiou até não querer mais (mas claro, pedí para meu esposo ficar dentro para caso ela escorregasse, tivesse alguém para apará-la, que eu não me fio totalmente na sorte ainda não!!).

Pela primeira vez, ficamos eu, ela e o pai, totalmente juntos, 24 horas por dia, e confesso que adorei cada minutinho desse tempo. Minha mãe não teve isso conosco, pois mal ela paria, meu pai, apressadinho, já deixava outra sementinha lá...ele também era desses pais que acham que só a mulher é quem deve cuidar dos filhos, acalentar, fazer sorrir , fazer chorar, dar banho e preparar a comida, enquanto ele ficava refastelado no sofá assistindo jogo de futebol ou como hoje em dia, jogando video-game. Nada contra quem joga video game, viu? mas eu sou da opinião que, se você tem um filho, as responsabilidades devem ser compartilhadas, até por uma questão de procurar aumentar a cumplicidade do casal. se sua esposa está dando banho em um bebê, dê carinho ao outro, e se não tem outros filhos, ajude a fazer a comida, lavar a louça (e que bom que meu esposo é assim, senão eu entrava em parafuso)...as esposas agradecem! 

Apesar de cansativo (é sim, queridos!!ficar bolando coisas miranbolantes para uma criança de 1 ano e 8 meses fazer não é mole!!! e o pique para pular, dançar e gritar- fiz o teste da música da Bioncè e não é que funcionou?? mas quem manda, né?kkkkk), foi um exercicio diário de paciência, bom humor e criatividade. posso até dizer que me desliquei desse nosso mundo adulto e tive necessidade de voltar ás minhas raizes infantis (nome chique para dizer que não estava nem ai com nada) e tentar lembrar de como fazíamos determinada brincadeira ou dos aromas e sabores que me levaram a cozinhar besteirinhas apetitosas daquele "tempo de antigamente" para dar de comer para minha pequenina, sempre pensando "um dia ela vai se lembrar desse cheiro e desse gosto e vai sorrir".

Espero sinceramente, que estes momentos tão nossos fiquem gravados na memória dela, ou pelo menos a sensação deles. esses pequenos valores (aconchego familiar, respeito, atenção, carinho com o outro) para mim, são tudo o que de mais precioso posso passar a ela no momento, pois ainda não conseguimos nos entender com as palavras.

E que venham mais Férias como estas!! 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Os Quatro Portais - por Jobis Estevão

Da lista PartoNosso. 

Ao nascermos, somos solitárias. A busca pelo outro é uma sucessão de tentativas, nem sempre bem sucedidas. Uma das finalidades do homem é buscar o outro, para tentar se encontrar, primeiro nele, depois através dele.

Na mulher, esse desejo de procura / encontro é mais intenso, porque somos mais emocionais e porque temos em nós o dom da vida. A vida é ânsia de universo corporificando-se dentro pra depois vir à luz. É o
encontro máximo. Acho mesmo que, para termos essa possibilidade, precisaríamos ser diferentes dos homens, pessoas que podem colaborar com a vida, mas não gerá-la. No esperma, o homem é a semente; a mulher é a terra. O sêmen semeia, mas a mulher é quem tece.
Talvez por isso, existam esses portais, experiências do feminino que lhes permitem um contato íntrínsseco com elas mesmas, com o outro e uma consciência mais aprofundada do Universo que as rodeiam, tanto o tangível quanto o impalpável, mas nem por isso menos atuante na terra e nos seres.

O PRIMEIRO PORTAL É O GOZO. Não o sexo propriamente dito, mas o gozo. O limiar que vem justo após o instante em que dois se tornam um e, por uma fração diminuta e quase imperceptível, é-se uma coisa meio sem identidade, mas simplesmente ditosa e plena. Para isso, só técnica não basta. Pode-se ter orgasmos múltiplos e deliciosos só com ela, mas para chegar ao "portal do gozo", é preciso algo mais. Uma ânsia de dar e receber quase irracional; um estado meio alterado de consciência gerado pelos corpos, mas também pelas mentes. Desse portal, poucos falam, mas quem já pisou, não esquece. Além de delicioso, é transformador. Gosto de pensar nesse como o portal da Felicidade. Um momento tão pleno e absoluto de felicidade, muitas vezes abastece uma alma de forças e amor para a vida inteira.

O SEGUNDO PORTAL É O DA GESTAÇÃO. Não apenas carregar, mas gestar. Não necessariamente adorar a princípio, desejar e achar uma maravilha, mas gestar. Gestar é estar dentro. O outro está dentro de você e você está dentro do outro. A medicina está longe de compreender as alterações psíquicas sutilíssimas existentes na mulher que gesta. Pode apontar os efeitos, mas não perscrutar a causa. Nesse portal entra-se devagarinho. Pés inseguros, pois que o chão parece movediço. O quê? Eu? Comigo? Justo eu? Logo eu? Isso é vida? É gente? É instinto? É ânsia de viver microcósmica que encerra um macrocosmos diminuto? O que é isso cujo coração de repente bate, tão rápido e desesperado, como se tivesse pressa de sair? O que é isso que incomoda, mas é tão gostoso? O que é isso que dá azia, vômito, tonteira, vontade de fugir pro Canadá ou pra floresta amazônica? E de repente mexe, e reage à voz, e parece que pensa, e parece que vive? Eu vivo por ele, ou ele vive para mim? Quem é agulha e quem é linha? Quem conduz e quem é conduzido? E mexe, e chuta e, mesmo oculto, vai na minha dianteira, anunciando sua presença através de uma barriga cada dia mais proeminente? Essa vida que não anda, que não fala, que não tem livre-arbítrio, um ser humano reduzido a mais absoluta vulnerabilidade,à condição inerente a néscios e santos, víboras e vtimas? Eu sou Rio,sou São Paulo, sou Tóquio, sou Nova York, sou um ser que gera, um ser que gesta, tão ativo e tão passivo, tão poderoso e tão indefeso diante da vida, tão exultante e tão desesperado.
Chamo esse do portal da deusa e da serva - porque quem gesta é deusa e é serva de uma só vez. Será deusa por ser serva, ou serva por ser deusa? Nosso sexo bebe o dom da vida, e ele se desenvolve em nossos ventres.
Nós somos portadoras de um segredo: de um serzinho que o mundo inteiro não conhece. Nossa mente é fecunda como a dos deuses. Nos achamos capazes de enfrentar borrascas apavorantes, somos fortes e sábias. temos o instinto da terra, a natureza dos oceanos, a influência da Lua e persistência do Sol. E somos servas. Servas de um imponderável que nos controla sem dar satisfações. Serva de ciclos que nosso corpo reflete, e que contemplamos, prostradas, de joelhos, porque, de repente, a coisa toda é assustadora demais para ser dita de qualquer jeito. Somos servas porque não temos o controle. Somos servas porque não temos instrumentos.Somos poderosas e vulneráveis, e talvez nosso poder se amplie na medida em que aceitemos nossa vulnerabilidade, em que acolhamos nossas lágrimas e usemos as dores para alcançar nossas verdades essenciais.

O TERCEIRO PORTAL É O DO PARTO. A dor que vem em ondas e nos leva pra sei lá onde. Cada uma vai para um lugar secreto e imprevisível. Pode nem sempre ser bom, mas sempre é importante. É a deusa-serva e a serva-deusa cruzando os umbrais do infinito. Ela grita porque não dá pra racionalizar tamanha imensidão. Ela geme porque é tão assustador quanto prazeroso. Ela dança porque o corpo tem vontade própria, porque o universo inteiro dança, na concretização da vida que se impõe. Dançam as águas no oceano, os animais nos rituais do acasalamento. No sexo, homens e mulheres dançam, puro instinto, carne e espírito. E no parto, nós dançamos também, Como não poderia deixar de ser. A apoteose da deusa e da serva. o gozo do corpo e a consumação da gestação. O portal da vida e da morte abrindo passagem para o mundo externo através do meio das nossas pernas. A vagina que se lubrifica para a entrada do sêmen, se expande para a saída do broto. A caixa-casulo do útero se abre, a mulher canta e desliza o filho, o bebê, a cria. Um ser que é nosso e é só empréstimo. Um ser que é uma vida inteira e um mar de hipóteses. Uma coisa que é definida na nossa mente, e tem um mar de possibilidades a seus pés. Uma pessoa que muitas vezes veio por nós, que seguramente veio de nós, mas é individual.

E Quando você pensa no processo fisiológico do parto, quando você pensa que cada dor, cada contração, cada fase tem uma finalidade que atende mãe e bebê, percebe que tudo é lindo demais. Após a conotação de sofrimento, pode-se chegar à percepção de glória. Parir é a glória de quem gesta. A consumação suprema do fisiológico pela continuação da espécie, mas também o ato supremo de doação e receptividade ao outro. Penso nesse como o portal do eu no outro. Uma das fases descritas pelos especialistas em puericultura, é a do egoísmo. A criança prioriza a si mesma, porque esse é seu único referencial de bem-estar. Durante a vida, ela apreende outros valores: família, equipe, companheirismo. No gozo, ela conhece o clímax da recepção; na gestação, o ápice da fusão e no parto,o apogeu do companheirismo. Mãe e bebê estão juntos nisso. Ele abre caminho e ela se abre para sua vinda. Ela o chama com a laringe e com a mente, e ele responde, caminhando um pouco a cada vez. E então nasce e, se tudo correr bem, dali por diante, para sempre serão dois e para sempre serão um. Para sempre ela será um universo a parte, que, entretanto, aceitará uma órbita que não a sua. Para sempre ela terá seu coração dividido entre a parte de carne que pulsa em seu peito, e a parte de carne que pulsa no peito do filho. Por isso o "eu no outro".

O QUARTO, É O DA AMAMENTAÇÃO. Quem amamentou de verdade não nega: a coisa é mágica. Em dado momento, você se toca que o que passa pra ele não é só seu leite, aquele líquido às vezes ralo que até pode parecer insuficiente. Tem algo mais. os técnicos detectaram vacinas, anticorpos e uma fórmula individualizada para cada dupla de lactente e lactante. Mas ainda não é tudo. O que se vê olhando nos olhos de uma criança que mama? O que se sente quando o líquido aflui e ela suga? O que se vislumbra quando a mão minúscula com seus cinco dedos que mais lembram estrelas de pontas abertas repousa sobre o seio exposto? O que ela te diz sem dizer? O que você fala sem abrir a boca? O que acontece quando a sucção amaina, quando os membros se tornam lassos e a respiração faz-se lenta? O que acontece quando um silêncio sublime os envolve, e os únicos sons autorizados são da sucção de um bebê com as respirações de mãe e filho cadenciadas, apesar de em ritmos diferentes?
É muito mais que vacinas, anticorpos e uma fórmula única. Esse é o portal do sublime. É o portal sem muita comparação retórica. É o portal em que as perguntas dizem tudo, e nem precisam ser respondidas. É o portal em que o místico tem sua aparição máxima, por revelar-se na mais absoluta simplicidade. Não são precisos rituais nem votos. Apenas a disposição de viver o momento e a coragem necessária de entrar nele.

Depois dos quatro portais, voltamos à terra firme. Ao dia-a-dia,arroz com feijão, pão na mesa, manteiga na geladeira, óleo esquentando, lotação de metrô, fila interminável de banco, contas pra pagar, dor de cabeça, unha encravada, mau-humor repentino, crise de identidade, tratamento odontológico. .. Mas nada, jamais, nunca mais, será como antes. Por esses quatro portais, chegou-se o mais perto do céu que uma pessoa pode chegar, continuando viva e ativa depois. A marca é um comprometimento, a humildade da serva e a força da deusa. Agora, não apenas estamos no Universo, mas o Universo também está em nós...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Os 10 Mandamentos das Maternas - Por Anna Gallafrio

Da lista de discussão PartoNosso:



1. Não terás outras deusas além de ti mesma.
2. Não fugirás de teus medos.
3. Honra teu pai e tua mãe, perdoando os erros e aceitando teu nascimento.
4. Não desistirás de teu PN diante da sociedade cesarista.
5. Não revelarás tua DPP verdadeira.
6. Não cobiçarás o parto do teu próximo.
7. Não julgarás a cesarea eletiva do teu próximo.
8. Não dirás falso testemunho aos que procuram o Parto Normal.
9. Não poderás escolher pelo teu próximo, por isso relaxe.
10. Amamentarás como se não houvesse amanhã.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Carta ao Homem de Vidro - Por Alessandra Caetano Gomes



O Caminho de quem toma a pilula vermelha é irreversivel. sabe aquela do filme "Matrix", que Neo engole para finalmente enxergar o que todo mundo sabe, mas também todo mundo fecha os olhos para não ver?

A Questão da Humanização do Parto passa também pela forma com que a gestante é acolhida, pela sociedade, pela equipe que irá apoiá-la, não só a equipe médica, mas o Pai, a Mãe, o Marido. Pessoas queridas tão próximas e por vezes ao mesmo tempo tão distantes dos reais anseios daquela mulher-mãe-guerreira que está nascendo, após a descoberta da gravidez. Uma mulher que pensa em nada mais, a não ser em trazer para a vida, DA MELHOR FORMA POSSIVEL, o ser mais amado que ela sentirá crescer dentro de si por nove meses. Por mais que ela saiba, instintivamente, o que é melhor para seu filho, justamente quem deveria ser o seu apoio, na hora P (de "parto") se volta contra ela, contra a natureza da sua fisiologia, contra sua liberdade de escolha. E na maioria das vezes, essa mulher cede, por desinformação, desrespeito, desatenção, ou por se abater tanto com as reais escolhas que o "sistema" lhe oferece, que desiste. A melhor fase de sua vida, que deveria ser a gravidez, o parto e o pós-parto torna-se uma verdadeira batalha pelo seu ideal de vida, quando a pilula é tomada, ás vezes, nos quarenta e cinco do segundo tempo, com quase 30, 37 semanas de gestação.

E ás vezes até lhe apresentaram á pilula, mas a mulher não faz questão de saber por si mesma "como seria", prefere ouvir a "Deusa Disque" ("diz que" na cesária não tem dor, "diz que" é porque o bebê não sofre...), incorporada por pessoas próximas que nem passaram pela experiência, mas que também "ouviram dizer" que era mais "cômodo, mais limpo" um "parto" assim. Ai eu pergunto, principalmente, para os maridos que fazem questão de dizer que a cesárea foi melhor para suas esposas: melhor como? foi você que teve sua barriga aberta, sentiu as dores e desconfortos do pós operatório, que não conseguiu amamentar seu filho, que chorou horrores ás vezes escondido por um bico fissurado e teve dores musculares por todo o puérpério, pois seu organismo não aguentava a roda-viva de hormônios descontrolados que não foram "utilizados", que seriam melhor aproveitados num parto vaginal, tanto pela mãe quanto pelo bebê, mas foram desperdiçados por uma cesárea?

Foi legal você ouvir, de uma enfermeira que você nunca viu na vida, despreparada pra lidar com pessoas (que paradoxo, hein??) que sua esposa "não gritou pra fazer, porque estava gritando agora?" ou "na hora de abrir as pernas foi fácil, agora tá chorando porque?"

Com a devida autorização, posto aqui as palavras que li na lista de discussão PartoNosso, que tanto me passaram pela cabeça enquanto estava grávida, mas que nunca consegui externar com tamanha gana e vontade de vencer, e que me fizeram relembrar que, mesmo contra todas as adversidades, ainda podemos contar com nossa "força interior" para fazer a mudança acontecer. beijos, Alê, e força na peruca!!!


"Data: Quarta, 1 de Junho de 2011 10:34

Caro Dr.:

Não estou tampouco te criticando. Sei exatamente do teu sofrimento, pois lido com isso há 30 anos. Posso entender claramente sua dor e sua indignação com a dificuldade de conseguir um parto respeitoso e digno. Entretanto, minha intervenção apenas se prende a necessidade de você ultrapassar a fase de lamentação e partir para o ataque. Sim, atacar os pontos que você considera errados na atenção às grávidas. Aqui mesmo nesta lista há DEZENAS de pessoas que pararam de reclamar e arregaçaram as mangas para transformar a realidade dos nascimentos em suas cidades. Ações na prefeitura, nos hospitais, entre os políticos, na sua comunidade, etc...
O que eu considero de mais errado na atenção as grávidas é o desrespeito do médico pela inteligência delas. Os médicos não tratam nem as mulheres e nem os pacientes como "gente grande". Eu sei o que falo porque sinto e senti na pele o autoritarismo paternalista dos médicos, e não digo apenas de médicos obstetras. Os médicos, em sua maioria, odeiam serem questionados, contestados, e até testados.

Eu já falei isso aqui algumas vezes, quando fui numa consulta com o Dr. P, e perguntei sobre como era a questão da ocitosina e epísio durante o parto. Ele me disse autoritariamente que eu não tinha opções, nem escolhas, que receber ou não epísio e ocito eram protocolos hospitalares e não uma opção minha. Que o médico é quem sabia o que era melhor e ponto final. OU seja, eu sou o médico, eu me formei, eu sei e cala a boca! Isso não é um tratamento respeitoso, e sim autoritário e paternalista, e com essas coisas eu me recinto demais! Não suporto figuras autoritárias, do tipo você cala e obedece porque você não tem direito de saber e entender nada. Não gosto de ser tratada como ignorante, nem alienada, quando eu sou uma pessoa que faz parte da minoria que estuda e se informa. Não estou esperando o médico-princípe encantado e sim o médico que me respeite se eu disser não quero epísio, não quero ocitosina, não quero manobra de kristeler, não quero nitrato de prata no meu filho, nem essa vitamina k... Mas como o sr. disse um dia "espero que na hora você esqueça tudo o que sabe"... e acho que isso não vai acontecer, mesmo que eu não tenha forças para brigar.

Eu parti para o ataque sim, Dr.! Quando estava em Rio Preto, eu fui em alguns G.Os e todos eram cesaristas pelo pouco que argumentei com eles. Eu procurei as doulas da região. Uma delas simplesmente me disse que não acompanhava partos porque odiava, porque acompanhou dois e não gostou nenhum pouco. Agora me diga, como eu vou confiar numa doula que não assiste partos porque não gosta? Se eu contrato uma doula é porque preciso dela na hora do parto e não antes ou depois. Procurei outra que jamais me retornou os e-mails que mandei. E uma outra eu descartei porque vi que respondia por processo quando pesquisei sobre ela na internet. Em seguida eu procurei as 3 maternidades de SJRP que atendem o SUS, nenhuma delas respeita o acompanhante de parto, mesmo eu argumentando que existe LEI para isso. Escrevi para dois jornais da região denunciando, não obtive resposta nem de recebimento das denúncias. Recebi orientação para procurar o ministério público, mas decidi ir para a casa da minha mãe, porque o estress estava demais.

Vim para Uberaba, e aqui não tem doulas, perguntei para muitas mulheres sobre os dois hospitais que atendem pelo SUS, e me disseram para fugir de um deles. Conversei com a G.O que atendia no posto. Fui em duas consultas, adorei ela, muito atenciosa, quando conversei sobre parto domiciliar, ela me disse que achava tudo muito bonito, mas que PD é uma forma muito romântica de encarar o parto, e que em Uberaba não existem esses profissionais humanizados e nem métodos humanizados nos hospitais, mas que ela me encaminharia para o Hospital Escola porque lá aceitam acompanhante durante e depois do parto. Pra mim já é alguma coisa. Agora estou sem G.O de novo, porque ela saiu do posto para trabalhar para a UNIMED. Falei com 4 enfermeiras deste mesmo posto sobre parto humanizado. Com elas eu senti que posso contar em alguns aspectos como a puericultura, e a amamentação, mas não com uma doulagem. E essa semana elas irão fazer uma palestra para explicar os tipos de parto que existem, para uma população de nível sócio-econômico extremamente baixo e isso porque eu fui até elas.

Talvez meu dedo esteja nessa ação. Eu estarei lá para colocar sobre o parto humanizado, mas elas ainda não sabem que eu vou jogar essas questões quando abrirem o tempo para perguntas. Procurei fisioterapeuta do posto para aprender os exercícios que me ajudarão a manter meu perí­neo mais forte. Eu não estou parada. Mas estou paralizada sim, financeiramente, e não acho apropriado este local pra dizer o porquê de ter chegado numa situação financeira ruim.

Não posso assumir compromissos que não poderei honrar. Minha ùltima tentativa é o contato que fiz com um grupo de doulas de Uberlândia que alguém aqui da lista me informou... estou esperando resposta. Mas o tempo está passando... Estou gestando há quase 8 meses, e desde que sai da anestesia da ignorância a respeito do que é parto e gravidez, eu sinto que estou em TP. O meu parto. Eu não quis essa gravidez, porque eu não planejei, jamais me vi como mãe de alguém, pensar eu pensava nisso, mas jamais planejei. Quando soube da gravidez assumi a responsabilidade não por culpa, mas por responsabilidade de não ter tomado todas as precauções para não engravidar num momento conturbado da minha vida. Eu amo meu filho Dr. Eu quis dar a ele um PD sim, mas não pude. Então eu fui procurar um PH e não achei. E nao posso encarar um PD desassistido, porque não sou médica, nem profissional da saúde para resolver quaisquer emergências.

Eu sou uma só, no meio de uma multidão aqui nesse lugar, e achava que por aqui existissem profissionais humanizados.. Andei de uma região para outra, onde dou de cara com cesaristas e desumanizados. Eu fiz o que podia e o que posso no limite das possibilidades que se me apresentaram. Eu corro risco de sofrer sim um parto frank, mas não porque eu mereço, eu não mereço não. Mas não vai ser uma epísio ou uma ocitosina que vai definir a mãe que eu sou ou serei. Eu posso muitas coisas, se eu tiver como planejar, se eu não tiver vou dar de cara com muitos obstáculos, e é isso que está acontecendo comigo.

Mulheres vão continuar gritando por cesária, por ignorância mesmo, por aceitarem a cultura paternalista de que médico sabe o que é melhor para elas, como se fossem seus próprios pais, elas não querem ser tratadas como mulheres grandes, elas não querem sentir dor. Só uma minoria louca feito nós aqui, que sabem dos benefícios do PN para gritar por ele. Mas ficar aqui na lista falando pra quem concorda, pra quem sabe é fácil. E eu vomitei tudo que tinha que vomitar mesmo porque estou cansada de saber o que fazer e ver tantos obstáculos, e não me venham dizer que eu não tento, eu tento estou tentando. Mas eu sei também das limitações pelas quais estou passando. E eu não sei porque eu tenho que passar por tudo isso... não era assim que eu queria ou que deveria ser, mas é, eu vou tentar parir com o que posso, sou eu que vou parir, então esperem o meu parto.

De tudo isso que me aconteceu, e vai acontecer com outras, a única coisa que eu sei que o parto do meu filho é o meu parto também. Eu vou para o hospital emponderada pronta pra dizer não a epísio e a ocitosina, mas se eu não conseguir, o que mais vai importar pra mim é o bem estar do meu filho, e a mulher que vai renascer de dentro de mim. Alessandra velha, está morrendo...aquela que nunca se viu como mãe, mas que Deus resolveu dar essa experiência para ela crescer. Eu sou a protetora do meu filho nessa terra, ele é mais importante que a dor que eu sentir, porque vai ser a primeira vez que dor vai ser igual a amor. Não estou com medo não...medo de episio, não, meu medo é que eu sei que por mais que eu queira, as coisas podem sair do controle, e eu vou ter que ter paciência para não ficar me culpando, nem assumindo postura de vítima ou de algoz. Meu parto já começou atrás das minhas orelhas...

Alê, muito cansada de debate, com dor nas costas, e no pé da barriga, mas totalmente consciente da própria capacidade de parir e de ser mulher..."

sábado, 11 de junho de 2011

MEU Mamaço Inesquecivel - 05/06/2011

çJá comentei aqui sobre minha quase-nada-prática forma de amamentar...a estória toda é que eu tive uma cesárea, depois de sete horas e meia de bolsa rota, fui "afoitamente" para a maternidade, e apesar de ter ido a um grupo de gestantes (e participado de uma reunião apenas), nada disso me preparava para o parto em si. Eu esperava que tudo corresse como vemos nas novelas, onde bolsa rota é sinal de um parto rápido. Não digo "parto rápido e dolorido" porque seria impossivel dimensionar uma dor que nunca senti, mas que já tinha ouvido falar que "era igual á dor de dente". Bom, eu já tive dor de dente, daquelas que nem pensar positivo ou pensar em chocolate ajuda, então eu achava que dava conta. Mas eu não tinha contrações (=dor)!!! E na minha cabeça, as dores SEMPRE deveriam vir antes da bolsa romper ou durante o trabalho de parto....a bolsa estava rompida e contrações ZERO(cadê as benditas dores???? eu queria "sofreeeer"!!!!) a reunião que comentei ter assitido no grupo de gestantes falava que o parto de primeiro filho podia ser demorado, do mecanismo que o corpo fazia pra "expulsar" o bebê...mas não falava nada sobre bolsa romper antes das contrações!!!! hoje eu sei, com certeza, depois de ter resolvido voltar ao grupo após o parto, que eu definitivamente tinha "cabulado" essa aula...

Então, com a cesárea, veio meu maior medo: não conseguir amamentar minha cria(meu maior sonho). Eu fui uma das mães que infelizmente tentou, mas talvez , não sei se por falta de convicção nos meus apoiadores, ou por achar que seria mais "cômodo"apenas tirar leite pela bomba, mais o estresse de estar em casa alheia e não conseguir fazer mil coisas ao mesmo tempo(comer,tomar banho, lavar roupinha,dormir) que eram necessáreas, acabaram me desestruturando um pouco(até hoje não sei se o que eu tive foi TPP-tensão pós parida ou esgotamento fisico-mental) e deixei passar...e me arrependo amargamente. Uma vez, observando uma das moças do grupo de gestantes amamentar, eu vi os olhinhos da bebê olhando para ela com aquela mesma expressão com que o gato de botas olhou para o Shreck... e chorei...nunca tinha visto tanto amor, tanto carinho em um olhar, "ao vivo e a cores" como naquele dia.

Assim, como algumas das mães que lá estão, eu abracei uma causa: Apoiar, defender e orientar mães, pais, avós, tios que eu encontrar sobre a importancia da amamentação!!! Associei-me  a uma Ong, a AMAMEN- Associação dos Amigos da Amamentação, que trabalha junto ao Banco de Leite Humano da Santa Casa de Misericórdia do Pará, com postos de coleta nos Hospitais Guadalupe e Beneficiente Portuguesa (hospitais amigos da criança), além da parceria com os Bombeiros da Vida, que se dispôem á prestar apoio ás mães na coleta de leite materno excedente, para os bebês que a Santa Casa abriga em condições de prematuridade ou por apresentar algum impedimento mateno no aleitamento nas primeiras horas de vida.
Em Belém, numa manhã muito bonita e fresca do dia do Meio Ambiente, aproximadamente 30 mães participaram do "Mamaço Nacional" descrito no post anterior. Tivemos primeira capa no Jornal "O Liberal" de segunda feira 06/06/2011, e artigos com  fotos publicados no Jornal "Amazonia" e "O Diário do Pará".       

Foi um dia maravilhoso para mim... depois do evento, de vez em quando eu ia lá na máquina e rodava as fotos de novo....foi muito especial!!!

Link da entrevista com a Cynara, cordenadora do Banco de Leite da Santa Casa:
http://youtu.be/Vc-R5XucUA8

Link do minifilme que fiz com a minha câmera:
http://www.youtube.com/watch?v=Vb8lsfjIKEQ
Aqui, algumas fotos que fiz durante o evento:

Coordenadores da Amamen, Sling Barrigando, Santa Casa de Misericórdia de Belém

Dr. Helio Franco (nosso Secretário de Saúde)Sara e eu.

Sara e Márcio ( com a lacinho dourado)

Loyda e Liz(Sling Barrigando) Tayla e Isaque.

Uma Geral

o Banner e a Vida real

Mamãe e Nenén

Leila da Jade, Michele da Clarice e Paty da Sara.

tentando consertar um balão.

terça-feira, 31 de maio de 2011

AMARmentar é TUDO de bom!

A Organização Mundial de Saúde preconiza o Aleitamento Materno Exclusivo por seis meses, com orientação de se amamentar até os dois anos. Mas nada impede que você amamente por dois e meio, três, quatro anos ou até que a própria criança não queira mais, o que vier primeiro.Existem mães que por razões diversas não chegam a ter esse prazer. 

Sim, Prazer!! eu tive esse sentimento por muito pouco tempo, por pura falta de informação e por acreditar que tinha pessoas ao meu lado que me apoiavam nessa caminhada, que é a chegada da maternidade.Tudo que consegui foi retirar meu leite com bomba elétrica e "repassar" ao bico da chuquinha a função que eu deveria estar desempenhando, por quatro meses e meio, quando por falta de estimulos, parei de produzir.

Eu sabia que era bom para o bebê e para a mãe, pois ao mesmo tempo que tornava-os um, trabalhava o físico-hormonal-emocional de ambos. Mas tudo que conseguia era me achar uma fracassada, sabe aquela sensação de que algo "passou batido", de que faltou um elo desde o momento do nascimento até a quase amamentação??? pois, é aconteceu comigo. lembro apenas de chorar horrores, porque minha idéia de amamentar não era colocar uma mamadeira na boca de minha filha (tanto que eu nem comprei mamadeira alguma, nem nada semelhante de enxoval!!!) e sabia que algo estava errado, mas não sabia como mudar. até que conheci a Associação Amigos da Amamentação (http://amamen.blogspot.com/), e renovei as forças.

Hoje, sou associada e sigo com a mesma idéia de quando estava grávida: o meu melhor é o meu leite, quentinho, na temperatura ideal e a qualquer hora, que não é doce nem salgado (para nós adultos), mas é a vacina mais forte e natural que qualquer uma das produzidas artificialmente pelo ser humano.

Mas apesar disso ser bastante disseminado e divulgado pelas campanhas do Ministério da Saúde, nossa sociedade ainda tem "pudor" ao observar uma mãe alimentando seu filho ao seio.  Algumas mulheres, seguem com a idéia de que a mamadeira é muito melhor, porque é mais "higiênica"...pra quem??? eu, pelo menos, detestava ter que preparar 8 mamadeiras por dia, com aquele leitinho artificial "escondido" pelo gostinho de alguma fruta, sem contar toda a "preparação" da mamadeira e bico, antes de acondicionar aquele liquido que "mataria a fome" da minha filha....os homens, mesmo vendo seios em todo lugar (carnaval, na praia, em videos pornôs), não conseguem visualizar um quadro desses sem erotizar a cena, creio até que por uma questão cultural mesmo, onde eles desde pequenos são condicionados a pensar em seios apenas como fonte de prazer no sexo...de repente, ver muitos bebês abocanhando lindos seios cheios de leite deve ser uma visão destoante do "modus operantis" deles...vai saber!!!

A pouco tempo, no FaceBook, a Kalu Brum, mãemifera assumida e co-autora de um blog que trata do mesmo tema, teve sua foto retirada do site por "conter imagens ofensivas a outros membros do grupo" e aqui leia-se "pornografia". Meses antes, a antropóloga Marina Barão havia sido gentilmente convidada a não alimentar seu filho ao seio no espaço do Itau Cultural, em São Paulo, isso porque a monitora, assim orientada pela Instituição, entendeu que o "alimentar" também se estendia a essa condição (amamentar), quando na verdade, a questão era "não permitir refrigerantes,comida,bolos, tudo que viesse a sujar o espaço e acarretasse em prejuizo ás obras expostas" o que decididamente, não era o caso. Inclusive soube de mães que foram presas ou  foram agredidas em ruas e praças nos EUA, por simplesmente amamentarem seus filhos, por que lá isso é considerado pornografia....mas então porque será que eles AMAM vir ao Brasil?? porque aqui pode e lá não??? qual é a "diferença de peito"??

Então, aproveitando o Dia do Meio Ambiente, dia 05/06/2011 vai acontecer um "MAMAÇO NACIONAL", apoiado por diversas Instituiçoes e Mães que promovem, apoiam e incentivam o Aleitamento Materno em diversos Estados, com diversas programações.  Se você vir o Laço Dourado da UNICEF nas manifestações, seu significado é:

Ouro: A cor dourada quer dizer que a amamentação vale ouro para as crianças.
O Laço: Cada parte do laço tem uma mensagem especial.
Um lado do laço representa a mulher e o outro o bebê, dessa forma, mãe e criança têm a mesma importância para o sucesso da amamentação.
O nó central significa o pai/companheiro/a, a família e a sociedade. Sem este nó não existiria o laço. O apoio é fundamental para o aleitamento materno.
As pontas do laço representam o futuro: a amamentação exclusiva por seis meses e a amamentação continuada por dois anos ou mais, complementada por comida caseira, gerarão crianças saudáveis e felizes
. 

Veja se em sua cidade haverá o evento, e sejam bem vindos!!

Rio de Janeiro
Local: Parque Lage, no Chafariz.
Hora: a partir das 10h
O que vai acontecer: Um piquenique no parque, onde cada um traga um lanche ou uma fruta para uma celebração coletiva. Além da roda de amamentação, teremos a participação de mães artistas apresentando seus trabalhos. Já temos confirmada a apresentação de um recital de Kantele, um instrumento finlandês, com Marília Felicíssimo, Teatro de mesa para as crianças pequenas com Ana Luiza e Miza, Contação de Histórias para os maiores com Maribel Barreto. Estamos sugerindo também, que as mães tragam fotos pessoais amamentando seus filhos, para fazermos um varal de exposição dessas fotos.


São Paulo
Local: Marquise do Parque do Ibirapuera
Hora: às 14h30


Florianópolis
Local: Trapiche da Beira-Mar Norte
Hora: às 15h


Brasília
Local: Parque Olhos D’Água
Hora: às 15:30h
O que vai acontecer: Vai ser em forma de piquenique também, os adultos comendo lanchinhos saudáveis e as crianças, leitinho.


Recife
Local: Livraria Cultura – Bairro do Recife
Hora: das 12h as 15h
O que vai acontecer: Além da roda de amamentação coletiva, teremos um grupo de discussão sobre os mitos relacionados a amamentacao, alem de compartilharmos experiencias e dificuldades individuais. Temos confirmada uma oficina de Shantala e Baby Yoga com Heliane Garcia e sorteios de brindes doados por empresas que apoiam o evento. Tambem vamos sugerir um varal de fotos relacionadas a amamentacao para expor.


Belém
Local: Praça da República, em frente ao Teatro da Paz
Hora: a partir das 8:30h
O que vai acontecer: Esclarecimentos sobre aleitamento materno e cadastramento de doadoras para o Banco de Leite Humano da Santa Casa de Misericórdia, roda de conversa sobre Mitos e Verdades da amamentação, participação da Pastoral da Criança e AMAMEN, veiculação em jornal e TV local, participação de mães com Slings.



Belo Horizonte
Local: Parque Municipal em frente ao Teatro Francisco Nunes
Hora: a partir das 9:30h da manhã.


Curitiba
Local: Livraria Bisbilhoteca
Hora: a partir das 10:00h da manhã.
 

Porto Alegre
Local: Parcão junto ao moinho de vento
Hora: a partir das 11:00h da manhã.
 

Campinas
Local: Concha acústica do Taquaral
Hora: a partir das 15:00h.
 

Londrina
Local: Em frente ao Banco do Brasil do calçadão
Hora: a partir das 16:00h

sábado, 14 de maio de 2011

Sobre Sexto Sentido (e em como acalmar uma mãe)!


Muitas pessoas falam sobre esse tema como algo sobre natural. Sabe aquele filme em que o protagonista sente que uma catástrofe esta prestes a acontecer numa cidadezinha e tenta a todo custo avisá-los, mas mesmo assim a tragédia acontece (acho que era com o ator Nicolas Cage)? Pois é, acontece na vida real também. Eu já perdi a conta de quantas vezes isso aconteceu comigo: Às vezes, eu me pego muito alerta para as coisas (ou "elétrica" demais), qualquer coisa, por minima que seja, me chama a atenção e "é batata"! alguma coisa sempre acontece , por bem ou para o mal. Também já sonhei com inundações enormes e furacões e no dia seguinte, lá vinha o jornal dizer que tinha acontecido algo semelhante em algum lugar do planeta. Talvez seja a tal da "consciência coletiva" que todos os seres viventes tem , essa ligação vital com o planeta em que vivemos, e essa interação é tão grande que inconscientemente algumas pessoas sentem que "algo muito estranho está no ar" ou "alguma coisa muito especial" vai acontecer.
Um amigo meu disse uma vez que "Intuição não existe, você apenas já tem o conhecimento prévio de algo, e quando se encontra em uma situação parecida, seu inconsciente lhe indica o que fazer". Mas de onde vem esse "conhecimento prévio"? quantas vezes você fez alguma coisa que era contrária ao pensamento que lhe veio na mente e essa coisa não deu certo porque você não seguiu sua "voz interior"?
Na Maternidade, isso vai além: o amor ao próximo literalmente torna-se carne e a ligação entre mãe e filho também é acompanhado de um tipo especial de sexto sentido, chamado AMOR. È essa ligação que permite que mães e pais consigam "sentir" quando os filhos estão precisando de nossa ajuda ou a quilômetros de distância, o coração apertado, quando algo de ruim acontece com eles, como relatados tantas vezes em programas policiais.
Semana passada, minha filha foi dormir com uma tosse seca, sem fluido algum, mas que não deixava ela sossegar no berço, pois ela sufocava que chegava a ficar vermelha. Dois dias depois, febre bem leve, que ainda permitia ela comer e brincar. Fomos á emergência e ela saiu de lá medicada, sob suspeita de alergia (eu tenho rinite alérgica) e voltamos. À noite, a febre aumentou, como o médico falou, perdurando por todo o dia seguinte e sumindo no terceiro dia. Mas a fome sumiu por completo , e ela só aceitava alguns pedacinhos de fruta e bolachinha de maisena e muuuita, mas muuuita água. Depois de quatro dias tomando remédios via oral mais o aerosol, a tosse persistia já com muito fluido e ela, sem comer direito, queria só saber de dormir quatro, às vezes cinco vezes por dia ( o que não era normal para quem só dava uma sonequinha básica de 45 minutos!). Minha razão dizia: "ela está medicada, deve ser cansaço da tosse mesmo, demora para voltar ao normal", mas minha voz interior gritava: "tem alguma coisa errada, tem muito sono aí, volta para o hospital!!" no final do expediente, a levei ao hospital, com a desculpa de pedir para darem um soro com glicose para hidratar. Acabamos "internadas", pois os pulmões tavam "cheios" e tendo em vista que os medicamentos orais não deram resultado, partiriamos para a via venosa. O exame radiologico do dia seguinte veio como uma bomba: "aumento do infiltrado peri-hilar bilateralmente"= PNEUMONIA nos dois pulmões!!
Foram sete dias bons e ruins. Bons, porque eu não ficava tanto tempo com ela desde que voltei a trabalhar e ruins, porque como ela é uma menina muito "fortinha", cada vez que as enfermeiras tentavam colocar o escalpo ("equipamento" usado para pulsar a veia e deixá-la aberta para introdução da medicação), ela se contorcia e a veia expulsava a agulha, obrigando-as tentar furar novamente em outro ponto e a mais uma sessão de choro ( no final, eu já não aguentava mais, confesso,mas eu tinha consciência de que ela precisava muito, senão poderia morrer). Algum tempo depois, aconteceu uma coisa curiosa: ela pedia para passear "subindo e descendo escadas" várias vezes ao dia. Eu pensava: "ela está tentando me dizer que está bem, que está respirando melhor, está fazendo os pulmões se exercitarem para sairmos logo daqui". Ela já queria comer minha comida de novo, já "falava" com todo mundo, já não dormia o dia todo como antes.
Hoje fazem quatro dias que saimos de lá, e eu tenho a impressão que "trocaram" minha bebê, pois está novinha em folha, me solicita mais do antes e quando me abraça, pôe a cabeça no meu ombro e com a outra mãozinha faz carinho nas minhas costas, como a dizer "mamâe, está tudo bem agora!". Agora pensem, se eu não tivesse "me escutado"dessa vez, o que teria acontecido??Não, melhor nem pensar.

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