sábado, 19 de maio de 2012

O Tempo de uma Amizade



Estava eu de cama, com a "mardita" virose, e com nenhuma vontade de ler meus queridos livros que de vez em quando eu olho por terminar, quando me deparo com o tema do Sem Censura desta semana, mmmuito bom de ver por sinal, super bem conduzido pela excelentíssima (de excelente) Leda Nagle: A amizade no decorrer do tempo. 

Lembrei imediatamente de uma grande amiga que tive na adolescência, e que de uma forma ou de outra era referência para mim.Lembrei que nunca briguei com ela por causa de namorados, ou de maquiagem e nunca tive a impressão de estar "competindo" com ela por alguma coisa, assim como me lembrei que também senti muito ciúme dela, quando uma colega de colégio fez questão de "ser amiga" dela do nada, e de eu não ir muito com a cara dela de jeito nenhum também por causa disso...

Lembrei que mais tarde nos reencontramos e eu tentei dar a mesma sequência da amizade de outrora (ela se mudou em razão da morte do pai), mas ela tinha um namorado na época , que me vendo certo dia na casa dela, e sem ela saber/ver, veio me perguntar "que tipo de amizade forte era essa que tinha me feito lembrar dela só naquele dia?, tipo, dando a entender que eu de alguma forma havia a "abandonado" em algum momento e estivesse surgindo sabe-se lá com que intenção, naquele dia...eu lembro de ter dado uma resposta até muito básica, dada a interpelação ter saido de alguém que nem me havia visto mais magra na vida  e obviamente desconhecia o tanto de anos que me ligava àquela amiga e os tantos segredos e momentos que havíamos passado em nossas vidas, antes dele "existir". Fiquei passada. como uma criatura idiota daquela poderia falar daquele jeito?? me senti uma intrusa pelo resto do dia, apesar de ser tratada com a mesma doçura e amabilidade por esta amiga, sua irmã e sua mãe (que tinham presenciado tantos e tantos causos que aconteceram em nosso tempo de colegial) que antes.

Tempos depois, tentei telefonar á ela para conversar e marcar uma saida, mas ela, ao telefone comigo, estava nitidamente mais encantada com a voz do namorado ao lado (que sabia que era eu ao telefone), pois num momento resolveu  que não poderia conversar tanto comigo pois estava com o dito cujo em casa. Eu entendi  direitinho o que acontecia. Eu fiquei muito chateada com o ocorrido e contei a ela sobre o "interrogatório "que ele havia me feito. Mas desde ai não nos falamos mais. A encontrei no orkut e ela soube da minha gravidez, do meu parto, e ficou de ir comer comigo um bolo de abacaxi, pelo dia de visita para a minha filha, e que eu havia feito especialmente pra ela, a pedido...esperei em vão.

Mais tempo se passou, a encontrei solteira novamente, cursando faculdade, com um sobrinho peralta do lado (hoje ela tem mais um, de menos de mês) e hoje está grávida de seu primeiro filhotinho(a).

Outra pessoa maravilhosa me foi apresentado pela minha madrinha, no Rio de Janeiro, em 1988. Eu tinha completado 15 anos e minha mãe, do nada , apareceu com as passagens de avião na mão! fizemos as malas correndo e fomos viajar. Ele era, por assim dizer, o amigo de todas as horas da minha tia, e muito parecido comigo: adolescente sonhador. depois desse encontro nos correspondemos por quase três anos, me contava das suas participações nas novelas da Globo (ele era figurante), e eu ficava esperando ele aparecer conforme ele dizia...me escrevia cartas muito legais, dividíamos muitas das nossas loucuras e nunca sequer passou pela minha cabeça que algo estivesse errado. Gente, existe sim amizade entre homem e mulher! Eu fazia festas homéricas quando as cartas dele chegavam pelo correio, o carteiro já até sabia!!! Ai um amigo dele o chamou pra trabalhar no exterior e ele me contou por carta que precisava não escrever tanto. Eu chorei horrores, parecia que meu mundo ia acabar. Ele era a única pessoa que minha tia me deixava de "herança", que a havia conhecido e era nosso elo de ligação. Ela faleceu em meados de 1990.

Da última vez que nos falamos ele estava na Alemanha, em KOLN (colônia).Tentei novos contatos, no endereço do Leblon, mas nunca me retornaram. Bom , pelo menos ele deve ter recebido, porque as cartas não voltaram! :)

Eu queria muito que eles soubessem que eu nunca os esqueci. Que pelo menos, da minha parte, as nossas  aventuras e sentimentos de antigamente são as lembranças mais fortes e doces que tenho de uma amizade. Que mesmo com todas as separações da vida, eu NUNCA vou me esquecer deles. e que eu espero que um dia Sara encontre alguém assim, como nós: amizades leais e de valor.

Também veio na minha mente uma outra pessoa, que vivia dizendo para mim: "pode contar, comigo, viu?" ou "qualquer coisa, estou aqui.", mas que na verdade eu sentia que a coisa não era tanto pela amizade, se é que ali existia alguma coisa etérea a ponto de ser isso. Eu sentia que não podia me abrir com ela, que algo estava errado, ela forçava muito a "entrada", digamos assim, no "meu" mundo. No mundo que eu, ou nós tentamos esconder: o quarto dos caquinhos dos nossos sentimentos (vide "o apanhador de sonhos")...e desculpa viu, filha, eu não sou tão manipulável assim. Você não é, nem nunca vai ser AMIGA de alguém!! seus posts, no blog que você abandonou, me deixaram bem claro que eu não posso confiar em você. Alguém tão cheia de rancor, agressividade e posso até dizer, inveja, é no minimo uma péssima carta de referência. Desculpa, mas eu não quero gente como você na minha roda de amizades, é um direito que me assiste. A doçura árida no seu semblante apenas é a ponta do iceberg de tanta coisa nojenta que é esse emaranhado de sentimentos que você tem ai dentro, não resolvidos, e que você faz questão de expor nas listas de discussão de que você participa. Não se preocupe, eu não vou dizer seu nome, até porque cada um sabe onde o calo lhe aperta, e não vou maximizar suas frustrações. Mas nunca mais chegue perto de mim, nem venha me dizer, "que podemos ser amigas". Não seja infantil, não insulte minha inteligência, como você vem fazendo desde que nos conhecemos. "Game Over" para você.


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"As pessoas não aparecem em nossa vida por acaso: acabam levando um pouco de nós com elas e deixam um pouco de sí conosco".  Maior verdade que essa, impossível!!

sábado, 28 de abril de 2012

È Lógico!



Que coisa,né? quando a gente pensa que está abafando, lá vem um comentário do nosso filho(a) para acabar com a nossa onda...
Tarde de terça -feira, estava saindo com Sara para deixá-la na escolinha e estava mormaço, mas sabe quele mormaço que não tem sol e só tem nuvens, nem estava tããããooo quente? pois é, era assim.

Ai, como eu sempre tenho o costume de levar a sombrinha por causa da chuva das duas horas que tem dado aqui em Belém, por esses tempos, e no meio do caminho acabo abrindo para ela (quando o sol aparece), ela estranhou eu não ter feito isso e perguntou:
-Mamãe, "subrinha"!
-Mas não está chovendo, Sara!!
-Mas tá sol!

E é lógico, que eu abri a "subrinha" e dei na mão dela...foi a primeira vez que tivemos uma conversa "lógica", onde eu entendi e ela me entendeu (ou não?).

Agora tudo que ela quer comentar ela pergunta antes "por que"? e eu penso: "e lá vamos nós!" :D...

Bem-te-vi

Esta semana, Sara tem acordado junto com a mamãe (tipo 06:30 da manhã).Se eu ficar mais tempo que isso na cama ela começa a ficar se remexendo e "ruminando" alguma coisa, para me fazer sair. E é eu sair da cama pra ela abrir os olhinhos -PLIM!- e me seguir pela casa, até a hora de eu ir para o trabalho...Mas,claro, não antes de passear até a padaria e pedir os pãezinhos de costume e vir com eles pendurados numa sacolinha no ombro, como se fosse gente grande, retornando de uma compra no supermercado. Aliás, desde que ela tem pouco mais de 1 ano, ela adora "ajudar a mamãe" com as compras quando chegamos em casa, quer logo pegar a sacolinha mais pesada pra carregar, e nós sempre trocamos pela de algodôes e afins, que são mais leves.

E agora que ela está acordando com os bem-te-vís ( é assim que se escreve?), eu tenho que fazer sala até que a cuidadora dela da manhã acorde (minha irmã). As sonecas da tarde se foram, como que por encanto, e depois da escolinha, ela dorme ás 19:30, 20:30hs e só acorda de manhã. Eu não sei se rio ou se choro...lá vamos nós de novo, para uma nova readaptação geral!!!

È, meninas, casa com crianças pequenas vive em constante "tumulto", mas um tumulto muito bom, onde a gente sempre se entende, pelo bem dos pequeninos!!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Anencéfalos, vivos ou mortos??

Eu sou contra esse processo de massificação de uma opinião. Quem é, ou já foi mãe ou pai de um bebê assim sabe qual é a sensação por que se passa, só eles podem exprimir, seja qual sentimento for, num acontecimento desses. Mas eu digo uma coisa: EU não sou assassina!! posso dizer que hoje, neste momento, se EU estivesse nessa situação, não saberia o que fazer, mas matar meu próprio filho, jamais!

Então procurei alguns textos para leitura e encontrei os abaixo. Espero de coração que ajude alguém em sua decisão. Vejam que a maioria deles datam de 2004, ou seja, a questão é bastante antiga, e apesar de serem de religiões diferentes, todas as opiniões emitidas são pela VIDA:


AINDA A QUESTÃO DO ANENCÉFALO
(Folha Espírita - Dezembro/2004)

Colegas da AME-Brasil (Associação Médico-Espírita do Brasil) têm se surpreendido, tanto quanto eu mesma, com as colocações de confrades, em conversas nas Casas Espíritas, em artigos na internet, ou mesmo em cartas, a favor do aborto do anencéfalo.

Muitos alegam que o feto nessas condições não possui cérebro, sendo óbvio, portanto, que não tenha nenhum espírito ligado a ele. Este argumento, porém, não tem o respaldo da embriologia. Durante a sua formação, o feto anencéfalo pode ter, por distúrbios ou falhas do sistema vascular, a paralisação do desenvolvimento do Sistema Nervoso Central em pontos distintos. Assim, pode ter um único hemisfério cerebral, não ter nenhum, mas, sem dúvida, terá o diencéfalo ou as estruturas reptilianas responsáveis pelas funções primitivas e inconscientes. Tanto é verdade que o anencéfalo tem todas as atividades instintivas básicas preservadas, como o pulsar do coração e a possibilidade de expandir os pulmões, nos movimentos respiratórios normais. Não se pode dizer, portanto, que ele não tem cérebro, nem tampouco que morre ou pára de respirar ao nascer. Há inúmeros anencéfalos que persistem vivos por horas ou dias, após o nascimento, mesmo desconectados do cordão umbilical, justamente porque possuem o cérebro primitivo, responsável pelas funções básicas instintivas.

Perante o anencéfalo é como se estivéssemos diante de uma pessoa adulta em estado de coma profundo: o coração bombeia, os pulmões recebem a carga necessária, os órgãos trabalham, mas ele não tem consciência.
Com o Espiritismo aprendemos que a alma secreta os pensamentos de maneira extra-física e é muito mais importante que o próprio cérebro orgânico, porque o comanda, ainda que precariamente nos casos de lesões graves, sobrevivendo à sua morte. É o que acontece nos vários graus do estado de coma.

Se somos espíritas, a explicação para os fetos anencéfalos é muito mais lógica e racional. Não podemos nos esquecer de que só o Espírito tem capacidade de agregar matéria. Se não tivesse um Espírito no comando, o anencéfalo não poderia formar os seus próprios órgãos - e o fazem a tal ponto que eles são cogitados para transplantes -, não cumpriria o seu metabolismo basal, e não teria preservadas as suas funções vitais.

O Espírito expressa-se através do perispírito ou do corpo espiritual e este, por sua vez, modela o corpo físico. Se há erros ou deficiências na modelagem, isto significa que o Espírito deformou o seu perispírito por problemas cármicos ou faltas cometidas em outras vidas. Assim como podem ocorrer deficiências nos mais variados órgãos, a questão não é diferente em relação ao cérebro.

No caso do anencéfalo, o perispírito está lesado, principalmente, em seu chacra ou centro de força cerebral que é responsável pela percepção (visão, audição, tato etc), pela inteligência (palavra, cultura, arte, saber) e atua no córtex. O Espírito com este tipo de má-formação errou, portanto, na aplicação da inteligência e da percepção.

Os confrades favoráveis ao aborto do anencéfalo alegam que nele não há Espírito destinado à reencarnação conforme explica O Livro dos Espíritos. Aqui, detectamos um erro clássico, não se pode basear unicamente em uma resposta dos Instrutores Espirituais. Levantemos todas as respostas que eles nos dão acerca da formação dos seres humanos e destaquemos as mais importantes para a elucidação deste assunto.

Na questão 344, eles afirmam que a união da alma com o corpo dá-se no momento da concepção; um pouco mais adiante, na de nº 356, advertem que há corpos para os quais nenhum Espírito está destinado, explicando que isto acontece como prova para os pais. E ainda no desdobramento desta questão enfatizam que a criança somente será um ser humano se tiver um espírito encarnado. Se juntarmos todas estas respostas, concluiremos que os corpos para os quais poderíamos afirmar que nenhum espírito estaria destinado seriam os dos fetos teratológicos, monstruosos, que não têm nenhuma aparência humana, nem órgãos em funcionamento. Como vimos, nada disto se aplica ao anencéfalo, porque o espírito comanda, ainda que precariamente, um organismo vivo.

Carma
Há ainda outros equívocos no raciocínio dos que são favoráveis ao aborto. Alguns ponderam que, tendo a mãe ou o casal nascido numa época em que a ciência já pode detectar prematuramente o problema, eles teriam o direito de evitar esse carma, promovendo o aborto. Aqui, a pergunta é inevitável: desde quando se evita o carma ou o sofrimento, provocando a morte de um ser indefeso?

Jamais o aborto aliviará o carma de alguém, muito pelo contrário, somente o agravará. Só haveria um meio de se adiar esse carma, seria pelo impedimento da concepção, porque, quando a vida se manifesta no zigoto, entra em jogo um Poder Superior, que é responsável por ela, e ao qual devemos obediência e respeito.
O raciocínio, portanto, deve ser outro: diante do feto deficiente, é preciso que os pais pensem no grau de comprometimento que têm para com esta alma doente, e nos esforços que devem empreender para ajudá-la a recuperar-se. Também não há nenhuma razão para se invocar direitos que não existem, como o da mãe, o do pai, o da equipe médica ou o do Estado, de provocar o aborto, porque o anencéfalo constitui-se em um organismo humano vivo. Eliminá-lo, portanto, é crime.

A consciência responde-nos, portanto, que a única atitude compatível com a Lei do Amor é a da misericórdia, a da compaixão, para com o feto anencéfalo.
* Marlene Nobre é presidente das associações médico-espíritas Internacional e do Brasil


O Ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, acolheu na semana passada uma liminar autorizando a “interrupção da gravidez” nos casos de fetos sem cérebro. Tais fetos, caso consigam desenvolver-se até à maturidade e o parto, geralmente, não sobrevivem por muito tempo fora do ventre da mãe. Trata-se, de fato, da permissão de “descumprir” a lei brasileira que veta o aborto, sem incorrer nas sanções previstas por essa lei. A decisão do Ministro causou perplexidades e ainda deverá ser julgada pelo plenário da Suprema Corte, podendo ser alterada, ou mantida.

A Presidência da CNBB emitiu uma Declaração manifestando sua posição contrária à liberação do aborto, nesses casos. O debate sobre esta questão passou à opinião pública através dos meios de comunicação e as perguntas da sociedade são muitas. A Igreja não poderia ficar ausente deste debate.

-Por quê a Igreja é contrária à “interrupção da gravidez” dos anencéfalos?

-Porque ela é a favor da vida e da dignidade do ser humano, não importando o estágio do seu desenvolvimento, ou a condição na qual ele se encontre. A vida é sempre um dom de Deus e deve ser respeitada, desde o seu início até o seu fim natural. Não temos o direito de tirar a vida de ninguém.

-Mas estes fetos não sentem dor, não podem expressar movimentos e não têm chance nenhuma de sobreviver. Podem ser considerados seres vivos?

-A vida humana não está apenas num órgão, como o cérebro, por mais importante que ele seja. A vida está no conjunto das funções do organismo. No caso desses fetos, tanto é verdade que são seres vivos, que eles podem se desenvolver no seio da mãe e chegar até à maturidade, para nascerem. Se não fossem seres vivos, não se desenvolveriam. E são seres vivos humanos. A verdade é que muitos deles já abortam naturalmente e os que nascem não podem viver por muito tempo fora do seio da mãe.

-Considerando que esses fetos não têm nenhuma chance de sobreviverem, não seria melhor eliminá-los logo, sem esperar que nasçam?

-Pensar assim, seria introduzir um princípio perigoso. A vida deve ser respeitada sempre, não importando quantos anos, dias, ou minutos alguém possa viver. Contrariamente, poderemos chegar também a concordar com a supressão da vida dos doentes terminais, dos idosos, dos que têm doenças incuráveis.

-A Igreja tem medo que a autorização do Supremo Tribunal possa abrir a porta para outras permissões questionáveis a respeito da vida humana?

-De fato, a posição da moral católica é pelo respeito à vida e não seria diferente, mesmo que se tratasse apenas dos anencéfalos. De toda maneira, permanece a suspeita de que essa decisão possa levar a outras semelhantes, como a permissão de eliminar fetos que tenham outras síndromes e doenças incuráveis, ou de permitir a eutanásia, quando se trata de doentes terminais, ou de pessoas com doenças incuráveis.

-Mas não deveríamos olhar também o lado da mãe, que gera um bebê sem cérebro? Ela não poderá ficar desesperada e com um drama prejudicial à sua saúde? Não seria melhor permitir que o feto fosse eliminado, para que a mãe não sofresse tanto? Tal gravidez não poderia colocar em risco a saúde da mãe?

-A mulher que gera um filho com anencefalia pode passar por um drama grave e por muitos sofrimentos, sabendo que o feto pode morrer ainda no seu seio, ou então, morrerá logo depois de nascer. Temos que ter muita compreensão para com essa mãe e a sociedade dispõe de muitos meios para ajudá-la. Mesmo o risco para a saúde da mãe pode ser controlado pela medicina. Mas o sofrimento da mãe não é justificativa suficiente para tirar a vida do filho dela. Além disso, fazer o aborto, nesses casos, pode marcar a mãe com um segundo drama, que ela vai carregar para o resto da vida. Abortar um filho não é solução, mas é um problema a mais para a mãe. Melhor, neste caso, é deixar que a natureza siga o seu curso natural.

-A opinião da sociedade, em geral, não é a mesma da CNBB e parece favorável à interrupção da gravidez dos fetos anencéfalos.

-Conhecemos apenas a opinião daqueles que têm o poder da comunicação, mas não sabemos se, de fato, a maioria das pessoas concordaria com o aborto dos anencéfalos. A verdade é que os juízos morais não dependem da opinião da maioria, mas da adequação à verdade das coisas. Não se pode esquecer que se trata de vidas humanas, que devem ser respeitadas sempre. Trata-se de vidas frágeis, doentes, indefesas. De uma sociedade culturalmente evoluída e humanamente responsável se espera que respeite a vida e a dignidade dos mais fracos e os ampare e proteja; se a sociedade dos adultos, dos fortes e sadios, dos que têm a ciência, a técnica, o dinheiro e o poder a seu dispor, não fizer isso, corremos o risco de voltar à lei da selva, onde os mais fortes se prevalecem dos mais fracos e indefesos. E seria a negação de toda a civilização e da cultura.

-Mas o Brasil é um Estado laico e não será a Igreja que vai determinar aquilo que a sociedade deve fazer.

-De fato, o Brasil não é um Estado religioso, mas a sociedade, em função da qual o Estado existe, é religiosa em sua grande maioria. O Estado não deve ir contra seus cidadãos, nem desrespeitar sua cultura e suas convicções. Ademais, o respeito à vida do próximo não é questão de religião e de convicção religiosa: Trata-se de uma questão de lei natural, que vale para todos, mesmo para os que não têm religião. Por esse princípio, não por uma questão de religião, é que cada cidadão pode contar com a proteção das leis contra aqueles que agridem sua vida, ou a põem em perigo.
Odilo Pedro Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário Geral da CNBB
Artigo disponibilizado pela CNBB em 10 de julho de 2004


Em entrevista ao site da revista Carta Capital, o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP) comentou a postura de políticos e líderes evangélicos, de não se juntarem ao protesto organizado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), órgão ligado à Igreja Católica, contra a liberação do aborto em casos de anencefalia: “Esse julgamento do STF deveria estar estampado em todas as igrejas evangélicas de forma organizada, como está fazendo a Igreja Católica”, opinou.

Para o deputado, a decisão do STF pode abrir outros precedentes: “Será aberta uma brecha, principalmente, na cabeça das pessoas em relação a outras más formações. Por exemplo, se uma criança nasce com uma má formação na orelha ou nasce com síndrome de down, no futuro, as mães podem pensar que essas características gerarão traumas para a criança e optarão pelo aborto. Esse precedente não pode ser aberto. Isso não é progresso, é assassinato”.
Feliciano diz que a decisão, mesmo em casos de anencefalia, não pertence às mães, mas a Deus: “A mãe não pode ter direito à vida do filho. O bebê é outra vida e não podemos matar uma criança, as crianças não podem ser punidas. As pessoas que defendem isso (descriminalização do aborto em casos de anencefalia) são pessoas que perderam a sensibilidade. A vida é um dom de Deus. Deus dá e Deus tira.

O pastor Marco Feliciano explicou ainda que não criticou seus pares na Frente Parlamentar Evangélica, mas que o cuidado com a questão deveria ser maior: “Acredito que houve um problema de comunicação. Houve falta de acompanhamento do assunto pelos congressistas da bancada em razão de muitas pautas circularem pela Câmara e da denúncia de corrupção contra nosso companheiro de bancada Demóstenes Torres”.
Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Caso favorável, a decisão do STF abre precedentes para outras decisões referentes ao aborto?
Marco Feliciano: Sem sombra de dúvida. Caso a decisão seja favorável à descriminalização do aborto em caso de anencefalia do feto será aberta uma brecha, principalmente, na cabeça das pessoas em relação a outras más formações.
Por exemplo, se uma criança nasce com uma má formação na orelha ou nasce com síndrome de down, no futuro, as mães podem pensar que essas características gerarão traumas para a criança e optarão pelo aborto.
Esse precedente não pode ser aberto. Isso não é progresso, é assassinato.

Esse posicionamento não negligencia o risco que a gravidez pode causar e o direito de escolha da mãe?
A vida tem que ser respeitada. A medicina pode cuidar da vida da mãe e do bebê. É uma questão de respeito à vida, de ética e de moral. A mãe não pode ter direito à vida do filho. O bebê é outra vida e não podemos matar uma criança, as crianças não podem ser punidas. As pessoas que defendem isso (descriminalização do aborto em casos de anencefalia) são pessoas que perderam a sensibilidade.

A vida é um dom de Deus. Deus dá e Deus tira.
Em um artigo, o senhor criticou a bancada evangélica a respeito da falta de posicionamento sobre o tema. Existe um racha entre os congressistas religiosos?

Não, acredito que houve um problema de comunicação. Houve falta de acompanhamento do assunto pelos congressistas da bancada em razão de muitas pautas circularem pela Câmara e da denúncia de corrupção contra nosso companheiro de bancada Demóstenes Torres.

Esse julgamento do STF deveria estar estampado em todas as igrejas evangélicas de forma organizada, como está fazendo a Igreja Católica.

Caso o STF arbitre a favor da descriminalização, existe a possibilidade do Congresso criar um Projeto de Lei para retomar o assunto?
Com certeza, o Legislativo vai se posicionar e cumprir sua função de legislar. A função do STF é de julgar de acordo com a lei criada pelo Legislativo.Se a descriminalização for aprovada, vamos fazer barulho na Câmara e representar o desejo e a moral do povo que nos elegeu. E seja o que Deus quiser.

Fonte: Gospel+

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

De tempos em tempos...

"Eu vejo uma florzinha crescer no meu jardim, tão bonitinha sim, uma gracinha enfim, com seus olhinhos brilhantes plimplim olhando para mim..."

As vezes eu paro para observar as novidades: ela agora anda se balançando ao som da turma da mônica, os dedinhos estão maiores, mais longos e fico imaginando uma bela pianista, ou uma violoncelista maravilhosa (que Amy Chua não me ouça). Ela corre com os colegas na escola, e enquanto isso, eu fico olhado as mães, avós e babás falarem para as crianças não correrem pra não ficarem suadas (putz, acho que elas não sabem que até no ar condicionado, você sua...), vejo o quanto algumas crianças são "cerceadas" no melhor da brincadeira. Não pode pular, porque pode cair, não pode correr, porque vai ficar todo melado (como me disse a babá hoje: "tipo, e se vier alguém de fora e quiser abraçar a criança, ela vai estar toda cheia de suor"?? eu fiquei pensando: ué, QUEM vai chegar da rua e pegar na criança, FORA do horário da aula??? a mãe, né?? e dai?? a mãe não gosta do cheirinho de suor do seu filho??? mas porque essa preocupação, se todos vão acabar tomando banho no final do dia, antes de irem para casa?? por que ela não diz logo "que é para não sujar a roupa para ela poder colocar na criança no dia seguinte o mesmo uniforme (YES, é isso!!!)?? e o que a criança pode fazer então? ficar parada, vendo todo mundo se divertir, rir, se pintar, se sujar?? EU não vou ficar doida e ficar todo o tempo o nome da minha filha, senão acaba gastando :): menina, não faz isso, menina, não faz aquilo, cuidado meninaaaaa!!! ai, me dá nas tamancas!! aaahhhh, se elas soubessem o quanto Sara caiu, se arranhou, suou, se sujou!!! "eu não fico nem um pouco preocupada" -falei- "sou eu quem lava as roupas dela mesmo, sou eu quem dou banho, dou almoço, deixo brincar, cair...é sinal de saúde!" :) Ai, eu nunca sei o que elas querem dizer com o olhar que elas me lançam: se é de pena ou aquele "meu deus, ela é doida" kkkkkkkk... 

Eu quero uma infância sadia pra minha filha! uma infãncia em que se possa correr, brincar, subir em árvores (eu sou desse tempo), tomar banho de chuva debaixo da chuva ou naquela bica da casa do vizinho, quero que ela fique fascinada por um grupo de música (tipo Menudo ou Polegar), que goste de ir ao cinema com os pais, que encare a vida como uma aventura e não fique se preocupando com o dia de amanhã (como eu, que era superpreocupada com coisas de adulto, mesmo sendo criança), que curta cada estrelinha no céu, e me diga um novo final para uma velha estória. Tudo bem, pode ter alguns frufrus, algumas frescurinhas de menina, mas que não seja uma garota que só queira ser amiga de alguém porque aquele alguém tem carro, ou porque vai nas baladas, ou porque é bonitinho, que só queira comer arroz e feijão. Quero que ela sinta orgulho de mim, do pai dela, das coisas que passamos para que ela fosse feliz. Quero muito, que quando chegar o meu dia, eu possa dizer "completei minha missão, está tudo bem, posso ir em paz"... Porque tudo que foi feito, foi do meu jeito meio incerto, mas foi com todo o coração.

Então, outro dia eu estava pensando em uma forma de que ela realmente entendesse e valorizasse isso tudo, da forma mais natural possivel. E me lembrei que adorava as estórias dos escoteiros sobrinhos do Pato Donald, que tive um primo escoteiro lá no Rio de Janeiro, e uma amiga do segundo grau aqui em Belém que era bandeirante e ela pelo menos, era meio doidinha = do gênero, alegre, extrovertida, que te faz ver o mundo com outros olhos, e adorava me explicar o quanto era bom participar de um grupo assim. E agora, digitando este post, me veio á mente a figura da Flor de Liz (não sei o motivo de ter pensado nela, especificamente!) para pôr como figura do texto, e pasmem: A flor de Liz é o simbolo do Escotismo!!!


Mais,na net:
Detalhe: só em Belém temos 16 grupos de escoteiros, e 40 contando todo o Estado!! Escolha um que seja próximo da sua casa para que seu filho participe, se ele já tiver idade. Depois da experiência da amamentação, exterogestação, maternação consciente, fraldas e calcinhas de pano, acredito que esta é mais uma etapa que devamos dar de presente aos nossos filhos, como uma continuidade de tudo o que estamos mostrando a eles desde pequenos; e hoje em dia é mais uma opção construtiva de fortalecimento do caráter, ao invés das tradicionais escolinhas de balé, futebol, natação e inglês, que tem seu valor, mas que na minha opinião cansam muito corpo e mente, com fórmulas muito pré estabelecidas (leia-se decorebas) de como, onde e porque fazer, esquecendo que o "descobrir as coisas por sí só" também é muito legal!  :D
Então, o que vocês acham??? Quem quer ser escoteiro levante a mão!!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Vislumbres...

"-Sara, se vista para ir á escola, minha filha!"
"-Não, vestir , depois da barbie, mamãe, depois da Barbie!"
teminado o video da Barbie, ela se veste.
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"-Sara, vamos dormir, mamãe está cansada..."
"-Vamos brincar de bolinha, mamãe!!"
pega a bolinha da Fralda Madrinha e joga pra mim, e espera eu jogar para ela...isso tipo umas 3 da manhã :)
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"-Deixa eu vestir sua meia."
"-Não quelo,deixa,deixa eu vestir!"
hoje já coloca sapato, roupa, meia e brinco sem mim (não sei se rio ou se choro!)
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"-Mamãe, trocar a fralda,trocar a fralda, mãe..."
isso tipo umas 4 da manhã, ela sentindo que a fralda noturna(que ainda não foi dispensada por motivos óbivios)estava abarrotada de xixi.
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de Dia:"-Sara,vamos trocar a calcinha(da fralda madrinha ;))?"
ela tira a calcinha e se dirige ao vaso sanitário...chega lá e fica cantarolando uma musiquinha muito animada, que eu percebo ser a mesma que ela cantarola desde pequenininha, aquele larilarihumhumlálá em que eu costumava acompanhá-la antes de ela dormir.depois de um tempo,sai e pede papel para se limpar e veste uma outra calcinha.


O TEMPO passa tão rápido... :( ***

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Escutando no silêncio(?).

 "15:30...tem uma hora que estou sentada, aqui do lado de fora, esperando que alguém precise de mim...e nada! ouço gritos, mas não são de terror...logo em seguida, risadinhas frouxas e um baque..entro de novo, olho de esguelha para dentro da sala...tudo normal.

Volto pra casa com o coração na mão, certa que de algo estranho vai acontecer, mas não, eu estou pensando demais, nervosa demais, estou pensando besteiras, vai dar tudo certo, afinal...

16:30, coloco roupas pra lavar, tomo banho, como alguma coisa que tinha na geladeira (nem lembro o que era) pego um livro para tentar distrair o olhar do relógio em cima da estante, enquanto a mão aperta o celular, quase como se estivesse espremendo uma banana (será que alguém vai ligar?).

17:15, roupas no varal, mas lá vem a chuva de novo (saco!). mais um pouquinho e lá vou eu, ver como estão as coisas...

17:45, turma saindo, coração apertadinho no peito, acabamos ficando por conta da reunião de pais, da qual só saímos às 20hs. Mas enquanto eu estava na reunião, Sara brincava lá fora. E então, vamos para casa, filha?...mas quem disse? 
-mamãeeeeeeee, tichiiiiiiiiaaaaaaaa, nenénssssss !!!!!!!!!!

E se joga no chão, se joga para trás , já no meu colo, eu rezo para que apareça um "anjo da guarda" e me ajude a levar minha pequenina para casa, enquanto os transeuntes ficam olhando aquela criança que berra desesperadamente no colo daquela mulher....Meus braços doem, paro para tomar fôlego umas três vezes no caminho, tento acalmar a criança, mas parece que nada resolve, só piora...

O trajeto de um quarteirão vira uma eternidade, eu já quase em desespero, tento manter a calma, por um fio a ponto de quase chorar junto com ela, enquanto penso "não cai agora, senão você não chega lá"...

Já no portão de casa, coloco ela no chão, e ela continua a gritar pela tichia e pelos nenéns...pensei, na minha agonia em vê-la naquele estado: "meu Deus, será que fizeram algo com ela, por lá??? o que fizeram com a minha doce Sara???" "será que fiz mal em colocá-la tão cedo na escola"??? "o que aquela mulher ( a professora=tichia) tinha mais do que eu?"

Ao longe, vejo meu esposo chegando, pensei  "alguém ai em cima me ouviu", mas nada. Ele tenta em vão acalmá-la, acabamos entrando com ela em casa aos gritos.
Já do lado de dentro, perguntamos tudo: 
-quer comer?
-nãoooooo!!!!-grita
-quer princesa?
-nãããããooooo!!!!
-quer leite, pão??
-nãaaaaooooo!!!(chora)
-quer "banbanho"??
-qué detá(deitar)!!!(chora)
-então vamos trocar de roupa?
Mais gritos. trocamos a roupa dela a pulso, e então, a surpresa: ela tinha feito cocô, e pelo andar da carruagem, era coisa de muito tempo.PUTZ, como EU me esqueci de pensar nisso, no básico???????? então a gritaria não era "só"pelos nenéns ou só pelas tichias!!!!! como eu tinha ido sozinha buscá-la, eu fiquei tão preocupada em participar da reunião que não identifiquei o tempo dela, pois de vez em quando ela entrava na sala, pegava na minha mão e dizia: "vamos pichá"(vamos passear= ir para casa?)? 

Logo depois, de tudo limpo e arrumado, ela dormiu, acordando depois de uma hora, só para tomar seu santo café com leite de antes de dormir, como se nada tivesse acontecido, calma e doce como sempre.

Nessa noite, depois que ela adormeceu, eu chorei muito, muito mesmo.Pedi milhões de desculpas a ela, pois por um lapso, eu esqueci de a escutar. prometo, meu bem, isso não vai mais se repetir...de agora em diante, quando você chegar para mim, seja onde for e disser"vamos, mamãe?" eu vou te atender!..."

dedicado a Jobis Estevão.